Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h14m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Regulamentação da reforma tributária deve prever declaração pré-preenchida, diz Appy

FolhaPress 26/03/2024 12:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil deve adotar um modelo de declaração pré-preenchida para facilitar a vida das empresas na apuração dos tributos criados pela reforma tributária, afirmou nesta terça-feira (26) o secretário do Ministério da Fazenda responsável pelo tema, Bernard Appy.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Neste momento, União, estados e municípios estão trabalhando na regulamentação da reforma, o que inclui a definição sobre o novo sistema de cobrança da contribuição federal e do imposto de estados e municípios sobre bens e serviços, a CBS e o IBS.

"O objeto é fazer para o contribuinte um sistema que seja o mais simples possível do ponto de vista operacional, que tudo possa ser registrado na forma de algum documento fiscal eletrônico, o que permite uma pré-apuração, como já tem hoje no Imposto de Renda Pessoa Física, que já tem a declaração pré-preenchida", afirmou Appy.

SESC PICASSO

Segundo ele, alguns países já trabalham com declarações pré-preenchidas para tributos sobre valor agregado, que permitem à empresa recuperar o imposto pago sobre insumos, como energia elétrica.

O secretário também afirmou que a tendência é que os novos tributos somados tenham uma alíquota próxima da apontada anteriormente pela Fazenda, cerca de 27%, o que mantém a carga tributária atual sobre bens e serviços.

Esse número pode ser maior ou menor de acordo com a quantidade de produtos que entrarem na lista de beneficiados com isenções ou alíquotas reduzidas.

"A alíquota vai ser aquela que mantém a carga tributária atual. Se alguém pagar menos, outros vão pagar mais", afirmou.

CONTADOR - BONUS

Appy afirmou que os grupos técnicos do setor público estavam trabalhando com quatro projetos de lei complementar, um que regulamenta o IBS /CBS e toda a distribuição de recursos para estados e municípios, um que tratava do Imposto Seletivo, um do Comitê Gestor e um que tratava do processo administrativo fiscal do IBS/CBS.

O ministro Fernando Haddad (Fazenda), no entanto, sinalizou que acha melhor reduzir esse número, propondo unificar a lei que regulamenta o IBS/CBS com a do Imposto Seletivo e deixando as questões de gestão e administrativas em outro projeto.

"A decisão final é política. Tendo o projeto pronto é mais fácil decidir fazer um, dois ou três. O número é algo que vai ser decidido posteriormente", disse Appy.

O secretário, que participou nesta terça de evento organizado pelo Grupo Globo, disse que União, estados e municípios já chegaram a um acordo sobre a maior parte das propostas de regulamentação da reforma tributária.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Os grupos técnicos formados pelos representantes do setor público já apresentaram todas as suas sugestões, que estão agora sendo organizadas por uma comissão de sistematização. A expectativa é que as propostas estejam prontas para ir ao Congresso em meados de abril.

Há consenso, por exemplo, sobre o modelo de cobrança dos novos tributos. Para a maioria dos contribuintes, a obrigação fiscal vai ser vender emitindo nota fiscal eletrônica e registrar as compras com nota que dão direito a crédito, o que poderá ser feito utilizando a declaração pré-preenchida.

O secretário disse que há preocupação de criar um sistema totalmente não cumulativo, inclusive em áreas em que o resto do mundo não consegue ter não-cumulatividade. Ou seja, praticamente todo o tributo pago em insumos vai ser recuperado pela empresa, evitando o efeito cascata de imposto sobre imposto não recuperado.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas