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Economia

Reforma do setor elétrico pode reduzir conta de luz em até 16%, diz consultoria

FolhaPress 30/04/2025 09:15

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A proposta de reforma do setor elétrico apresentada pelo MME (Ministério de Minas e Energia) beneficia o consumidor cativo das distribuidoras, que pode ter uma redução de até 16% na conta de luz. Por outro lado, pode elevar os custos da indústria com energia em até 12%.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A avaliação é da consultoria Volt Robotics, que considera como maior ganho para os pequenos consumidores a redistribuição de custos e encargos do setor, como as faturas das usinas nucleares Angra 1 e 2 e os subsídios para geração distribuída de energias renováveis.

As duas contas são hoje pagas apenas por aqueles consumidores que compram eletricidade das distribuidoras. São eles que garantem também o pagamento por energia comprada mas não vendida pelas distribuidoras que, segundo a proposta, também serão rateados por todos.

Somados, esses custos representam atualmente R$ 3,5 bilhões, com perspectiva de crescimento rápido até atingir R$ 10 bilhões em 2030.

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A proposta prevê ainda a liberalização do mercado em 2028, quando todos os consumidores poderão escolher seu fornecedor de energia. Também aqui a Volt vê ganho para os consumidores pequenos, que poderão comprar energia mais barata.

Hoje, o preço médio da eletricidade vendida por distribuidoras no país se situa em torno dos R$ 240 por MWh (megawatt-hora). "Quando migrar para o mercado livre, esse consumidor vai poder comprar energia a R$ 180 ou R$ 200 por MWh", diz o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho.

A consultoria estima que, no geral, a economia para o consumidor pode variar entre 8% e 12%, dependendo de sua localização.

Na avaliação da Volt, a possibilidade de ganhar esses novos clientes minimiza as perdas que geradores renováveis terão com o fim dos incentivos previsto pela proposta do governo. O setor ainda não se manifestou sobre o texto enviado pelo MME à Casa Civil.

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Por outro lado, os maiores prejudicados são os grandes consumidores, hoje já no mercado livre de energia, que terão que compartilhar custos hoje só pagos pelos clientes das distribuidoras e perderão gradativamente os benefícios hoje concedidos a compradores de energias renováveis.

Silva Filho avalia, porém, que a proposta do governo faz sentido já que, com a migração de mais consumidores ao mercado livre, aqueles remanescentes nas distribuidoras acabariam ficando sobrecarregados pela conta dos subsídios e encargos.

A elevação de custo para esse consumidor ficaria entre 7% e 12%. "Ficaria muito pesado para o ACR [ambiente de contratação regulada, onde estão esses clientes] se tudo ficasse só lá. Os últimos a migrarem para o mercado livre iriam pagar a conta inteira", diz ele.

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A indústria já manifestou contrariedade à proposta, por meio de associações que reúnem grandes consumidores. Eles pedem, ao menos, que o governo passe para o Tesouro Nacional a conta da ampliação da tarifa social de energia elétrica.

A medida, que ganhou maior notoriedade após a apresentação do texto, garante isenção da conta de luz para cerca de 17 milhões de famílias inscritas no CadÚnico, com o rateio da conta por quase todos os outros brasileiros —menos aqueles com renda até um salário mínimo.

"Essa proposta acaba comendo um pedaço do benefício do consumidor de baixa tensão e aumenta o encargo do consumidor de alta tensão [indústrias e grandes comércios]", diz o diretor-geral da Volt.

O governo diz estar aberto ao diálogo e vem realizando encontros com o setor para discutir a proposta. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, vem dizendo, porém, que os termos apresentados já são consenso no governo.

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