Maioria dos empresários ouvidos rejeita a redução semanal para 40 horas e o fim da escala 6x1 por temer aumento de custos e perda de competitividade
Uma eventual redução da jornada de trabalho provocaria impactos em 97% das indústrias brasileiras, segundo sondagem divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra ainda que 73% dos empresários consultados são contrários à adoção, por lei, de uma jornada semanal menor.
Entre as principais preocupações apontadas pelo setor estão o aumento dos custos, a perda de competitividade e a redução da capacidade produtiva.
Atualmente, 85% das indústrias pesquisadas adotam a jornada semanal de 44 horas. Outras 12% operam com cargas entre 40 e 44 horas, enquanto 2% mantêm jornadas de 36 a 40 horas. O 1% restante utiliza outros modelos para os trabalhadores diretamente envolvidos na produção.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, uma mudança na legislação poderia afetar a organização das cadeias produtivas e produzir reflexos em diferentes setores da economia.
“Esses custos tendem a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando fornecedores, investimentos e a competitividade das empresas. E perda de competitividade significa menor capacidade de disputar mercados, produzir e crescer, o que vai se refletir na economia do país e na vida do consumidor”, afirmou.
Maioria rejeita redução para 40 horas
A sondagem também avaliou a opinião dos empresários sobre as propostas em discussão no Congresso Nacional.
De acordo com o levantamento, 73% das indústrias são contrárias à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O fim da escala 6x1 é rejeitado por 57% das empresas consultadas.
A escala 6x1 estabelece seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. Propostas em análise no Congresso pretendem alterar esse modelo e reduzir o limite semanal de horas trabalhadas.
Acordos coletivos definem jornada em 37% das empresas
Em 37% das indústrias, a duração da jornada semanal é definida por meio de negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores.
O percentual sobe para 40% entre as empresas de médio porte e para 39% entre as grandes indústrias.
Para 62% dos entrevistados, a redução da jornada ou a proibição da escala 6x1 poderia comprometer benefícios estabelecidos nesses acordos. Outros 20% discordam total ou parcialmente dessa avaliação, enquanto os demais declararam posição neutra.
Ricardo Alban defendeu que o debate considere tanto os possíveis ganhos para os trabalhadores quanto os efeitos econômicos para as empresas.
“Todo o setor produtivo também tem interesse que isso seja uma conquista. Também tem interesse que o nosso trabalhador possa ter mais tempo, até mesmo para consumir. Mais tempo para a sua família, mais tempo para o seu lazer, mais tempo para a sua cultura”, declarou.
O presidente da CNI afirmou, no entanto, que uma eventual mudança deve considerar as condições econômicas e geopolíticas atuais.
“Não estamos nas mesmas variáveis que existiam quando foi reduzido de 48 horas para 44. As variáveis econômicas e a conjuntura geopolítica são outras. Então nós temos que trabalhar com responsabilidade para que essa conquista aconteça da forma certa, no tempo certo”, disse.
A CNI afirma que tem apresentado a posição do setor industrial nos fóruns de discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.
Fonte: Br61