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Protesto no Itaú de grupo ligado a Boulos incomoda governo

FolhaPress 05/07/2025 10:45

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O protesto na sede do Itaú, em São Paulo, realizado na tarde de quinta-feira (3) por uma frente de movimentos sociais ligada ao deputado federal Guilherme Boulos, do PSOL, incomodou integrantes do governo Lula (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Militantes da Frente Povo Sem Medo entraram de surpresa no saguão do prédio do Itaú BBA, na avenida Faria Lima, com cartazes e bandeiras que pediam a taxação de bilionários. O grupo tem a participação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), da qual Boulos foi coordenador.

O movimento diz que o local da ocupação foi escolhido por razões simbólicas: custou R$ 1,4 bilhão ao Itaú. "Esses mesmos bancos, quando começam a quebrar, vão pedir ajuda para o governo, isenção de imposto, e o rico no Brasil está pagando menos imposto que nós", disse uma liderança ao megafone dentro do saguão.

Um ministro do governo Lula afirmou, sob reserva, que a manifestação "estreita" a mobilização pela taxação dos mais ricos, defendida pelo governo dentro de um discurso de justiça tributária e defesa da redução de impostos para os mais pobres. A campanha se tornou peça central do governo, num esforço de recuperação de popularidade de Lula.

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Outro aliado do presidente disse que atos como esse isolam o MTST, movimento ligado a Boulos, e que será difícil convencer a opinião pública de que o deputado desconhecia o ato.

Esse interlocutor do presidente se queixou do fato de o protesto ocorrer no momento em que o presidente tenta recuperar sua popularidade.

Boulos disse que não comentaria a manifestação, embora tenha publicado mensagem de apoio ao ato. "O movimento social tem autonomia", afirmou à reportagem.

Como mostrou a Folha, o deputado tem liderado ataques ao centrão após a derrota do governo no tema do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), desde a semana passada. Em vídeos gravados para as redes sociais, ele argumenta que há uma aliança entre centrão e direita para aprovar cortes em políticas sociais, aumentar a impopularidade de Lula e abrir caminho para uma candidatura de direita nas eleições presidenciais de 2026.

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"[Eles] se juntam para derrubar o decreto do Lula e tentar forçar o governo a fazer os cortes no lombo do povo. É o lobby dos bilionários que atuou para que eles não paguem nada e o povo pague a conta", diz o deputado em uma das postagens.

Mesmo que a própria gestão esteja em ofensiva nas redes e no STF, usando vídeos feitos com ferramentas de inteligência artificial que mostram pobres carregando o fardo dos impostos no Brasil, a postura do deputado do PSOL contrasta com a de outros membros da coalizão.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), saíram em defesa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quando ele virou alvo de ataques e memes.

Sobre eventuais divergências dentro do governo em relação ao grau de engajamento necessário, Boulos diz que há convergência nas pautas -"diferença de perfis, mas não de visão"- e que Gleisi está certa em defender Motta.

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"Eu nunca fiz ataque pessoal. A nossa discussão é política", afirmou o deputado. "É natural que o governo Lula tenha que fazer diálogo e construir pontes e também que a esquerda manifeste as suas pautas."

Além de incomodar ao governo, a manifestação com participação do MTST ganhou apoio de perfis de esquerda nas redes e gerou reação negativa de figuras da direita.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez referência à manifestação com os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. "Quantos anos vão pegar de cadeia? Ou só vale para quem tá de verde e amarelo?", escreveu.

Luciano Hang, o dono das lojas Havan, postou: "Fim do mundo! Baderneiros e desocupados invadiram a sede do Banco Itaú, em São Paulo, pedindo 'taxação dos ricos'".

A Frente Povo Sem Medo convocou uma manifestação no dia 10 de julho pelo fim da jornada de trabalho 6x1, isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 e pelo que o governo chama de taxação "BBB": de bancos, bets e bilionários.

Boulos tem convocado o protesto nas redes sociais e em agendas políticas na Grande São Paulo nos últimos dias.

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