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Economia

Programa federal permite que agricultores do ES renegociem dívidas e recuperem acesso a crédito para investir na produção

Vitória News 11/04/2025 09:10

A trajetória de superação da família de seu José e dona Maria, agricultores familiares de Guaçuí, no Espírito Santo, é um reflexo do impacto positivo do Desenrola Rural, programa federal que vem proporcionando uma nova chance para famílias rurais do estado, principalmente aquelas afetadas por adversidades climáticas e financeiras.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A luta por terra própria

Por muitos anos, a vida de seu José da Silva Soares e sua esposa, Maria de Fátima Gonçalves da Silva, foi marcada pela luta incessante no campo, mas sempre trabalhando em terras de terceiros. A realidade difícil levou a família a viver com poucas perspectivas. “Era difícil. A gente trabalhava para os outros, e o que produzia não era nosso”, relembra José, ao relembrar o árduo começo de sua jornada.

A mudança veio em 2012, quando a família conquistou um pedaço de terra própria por meio do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Esse programa do Governo Federal foi crucial para permitir que muitos agricultores familiares, como seu José, tivessem a oportunidade de se tornar proprietários de suas terras, promovendo autonomia e o potencial de prosperar no campo.

A seca histórica e os desafios subsequentes

SESC PICASSO

Entretanto, os desafios não pararam por aí. Em 2016, o Espírito Santo enfrentou uma das piores secas da história, impactando a agricultura e colocando em risco a produção de café, principal fonte de renda da família. "Eu precisava aguar o café, estava muito seco, perdi tudo, tive que replantar", relata seu José, destacando a dificuldade extrema que enfrentou. A seca arrasou lavouras e foi um duro golpe na renda familiar.

Além das dificuldades climáticas, a família também enfrentou problemas de saúde. Dona Maria de Fátima necessitou de cuidados médicos especializados, enquanto a filha do casal foi diagnosticada com anemia profunda, exigindo tratamento e cirurgia na capital, Vitória. “Eu tocava a roça sozinho e ainda cuidava da minha mulher e da minha filha. Tudo foi se acumulando”, lembra emocionado.

O risco de perder tudo

Com tantas dificuldades, as parcelas do terreno e os empréstimos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) começaram a ficar impagáveis. "Eu não tinha como pagar mais, corria o risco de perder a terra que a gente sonhou e lutou tanto para conseguir", desabafa José, revelando o desespero que tomou conta da família naquele momento.

O renascimento com o Desenrola Rural

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Foi nesse cenário de crise que surgiu o Desenrola Rural, uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), lançada em fevereiro deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa foi criado para permitir que agricultores familiares renegociem suas dívidas com condições mais favoráveis, oferecendo desde descontos significativos até prazos longos de parcelamento.

Através do Desenrola Rural, seu José obteve uma renegociação da dívida, com um desconto de R$ 37 mil e a possibilidade de parcelamento em até 145 vezes. "Agora, com fé em Deus, vai melhorar. Vou conseguir pagar, continuar plantando, pegar crédito do Pronaf e, até, construir nossa casa pelo programa Minha Casa, Minha Vida Rural do governo federal", diz ele, com um semblante de esperança renovada.

Hoje, além de cuidar da lavoura de café, que ainda precisa de investimentos, a família cultiva milho e feijão para o sustento diário, além de manter uma pequena criação de galinhas caipiras, o que tem garantido maior segurança alimentar e uma nova fonte de renda.

O apoio essencial do MDA no Espírito Santo

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O acesso de seu José ao Desenrola Rural só foi possível devido ao apoio próximo e constante da Superintendência Federal do MDA no Espírito Santo. Através de um atendimento personalizado na sede da Associação de Crédito Fundiário de Guaçuí, localizada no Córrego do Sossego, 11 famílias puderam ser orientadas sobre o programa e tiveram a chance de renegociar suas dívidas com o apoio técnico e logístico do MDA.

“Esse serviço só acontece porque o MDA está presente e em constante diálogo com as comunidades rurais”, afirma Girley Vieira, chefe de articulação da superintendência do MDA no estado. “Quando o Desenrola Rural foi lançado, já sabíamos onde e como atuar. Planejamos esta ação para facilitar o acesso e garantir que as famílias afetadas pela crise climática tivessem as condições de se reerguer”, complementa Girley.

O superintendente do MDA no Espírito Santo, Laércio Nochang, também reforça o compromisso contínuo com a agricultura familiar. “Temos ações em campo, redes sociais e mutirões presenciais, tudo para garantir que as políticas públicas do governo federal para a agricultura familiar cheguem de verdade a quem mais precisa”, destaca.

Nesta semana, o MDA no Espírito Santo intensificou suas ações em municípios como Água Doce do Norte, Vila Pavão, São Mateus e Linhares, com o objetivo de alcançar um número ainda maior de agricultores em potencial de recuperação.

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