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Economia

Produtores de macadâmia têm contratos de exportação para os EUA cancelados

FolhaPress 04/08/2025 09:44

BAURU, SP (FOLHAPRESS) - A taxação de 50% às exportações brasileiras definida pelo presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, fez com que produtores e processadores de macadâmias tivessem seus contratos de compra cancelados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Somente Dois Córregos, no interior paulista, é responsável pela exportação de metade de tudo que é produzido no Brasil. No município conhecido como a "capital nacional da macadâmia", a QueenNut Macadâmia, uma das maiores produtoras e processadoras da noz do país, viu um contrato ser cancelado após o comprador norte-americano se recusar a pagar mais pelo recebimento do produto.

Um contrato de 15 toneladas de macadâmias cruas, que seriam enviadas a um único cliente dos Estados Unidos, foi desfeito. A negociação encerrada estava avaliada em US$ 225 mil (R$ 1,26 milhão).

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"Trabalhamos com dois tipos de acordo, um deles nós somos responsáveis por entregar a mercadoria no estoque do cliente 'CIF' e todas as taxas são por nossa conta. Quando o contrato foi fechado, em 2024, a taxa era de 10%, porém, a produção estará pronta só no final de agosto. Esse comprador já sinalizou que quer receber o produto, ou seja, vamos ter que arcar com o novo valor da taxa. Já no outro formato de contrato, nós fazemos a entrega 'FOB Porto' e as taxas de internacionalização são de responsabilidade do cliente. Foi um desses contratos que tivemos o pedido de cancelamento, pois a empresa sinalizou que não pagará esse custo adicional", disse Pedro Toledo Piza, diretor da empresa.

Ele, que também é diretor da ABM (Associação Brasileira de Noz Macadâmia), afirmou que, além dos cancelamentos, há pedidos de suspensão temporária de contratos.

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"Outras 200 toneladas de macadâmia brasileira, que seriam exportadas para os Estados Unidos, estão com os acordos suspensos. Essas negociações podem ser canceladas a qualquer momento ou renegociadas com valores mais baixos."

Ao todo, essas 215 toneladas com envios interrompidos, que seguiriam para clientes norte-americanos, representam um total de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 20 milhões).

A safra brasileira da noz macadâmia se encerra em setembro, prazo final para que toda a produção seja escoada e direcionada aos mercados consumidores.

Na tentativa de minimizar os impactos, a empresa de Dois Córregos tem adotado estratégias de mercado e feito manobras para realocar os produtos, segundo o diretor.

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"O prejuízo só não vai ser maior porque 60% do que produzimos já foi comercializado e, devido à seca, tivemos uma safra com produção abaixo do esperado, sendo assim, exportaríamos, neste ano, somente 30 toneladas para os Estados Unidos. O que vamos tentar fazer é acomodar a produção atual no mercado interno, já que o consumo da noz macadâmia no Brasil está em ascensão", disse.

Porém, Piza afirmou que, com essa taxação de 50%, a indústria de macadâmia brasileira precisará buscar novos parceiros comerciais. "Os nossos produtos se tornam menos competitivos no mercado norte-americano e teremos que arcar com os prejuízos dessa taxa até conseguirmos direcionar a produção para outras regiões consumidoras."

Em Dois Córregos, são 400 hectares de pomares com 100 mil árvores plantadas, e uma produção anual estimada em 1.500 toneladas. Do total, 30% é direcionado ao mercado interno e o restante é enviado ao exterior, sendo 50% para os Estados Unidos, 40% para a China e 10% para países de Europa e América Latina.

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