Levantamento do Cepea aponta que o problema de parte das lavouras deixou de ser produtividade e passou a ser liquidez
Produtores de hortaliças têm conseguido manter produtividade e domínio técnico no campo, mas a falta de liquidez vem comprometendo a saúde financeira das propriedades. A avaliação é da edição de junho da revista Hortifruti Brasil, publicação do Cepea/Esalq-USP.
Segundo o levantamento, muitos produtores dominam etapas fundamentais da lavoura, como irrigação, controle de pragas, manejo e condução até a colheita. O problema aparece depois: transformar a produção em receita disponível no momento certo para pagar despesas, quitar dívidas e preparar a próxima safra.
Para os pesquisadores, a liquidez se tornou um dos principais desafios do setor nos últimos anos. Sem dinheiro em caixa, mesmo lavouras produtivas podem enfrentar dificuldades para honrar compromissos e manter o ciclo de produção.
A revista compara a situação a um “balde furado”: o esforço produtivo existe, mas o resultado financeiro se perde quando o produtor não consegue organizar entradas e saídas de recursos.
O estudo aponta que parte dos produtores que deixaram a atividade nos últimos anos não foi derrotada pela lavoura, mas pelo endividamento. Ou seja, o problema não esteve necessariamente na capacidade de produzir, mas na dificuldade de administrar o fluxo de caixa diante de custos, prazos e oscilações de mercado.
A análise reforça que produtividade continua sendo importante, mas não é suficiente para garantir permanência na atividade. Para reduzir riscos, o produtor precisa acompanhar custos, planejar pagamentos, negociar prazos e manter reservas para atravessar períodos de menor receita.
O alerta é especialmente relevante para culturas de ciclo intenso e custos elevados, como tomate e batata, em que decisões de compra de insumos, colheita e venda têm impacto direto no caixa da propriedade.
Fonte: Cepea/Esalq-USP e Hortifruti Brasil.