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Economia

Privatização da Sabesp entra em pauta na assembleia de SP na segunda

FolhaPress 28/11/2023 17:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto a cidade de São Paulo para pela greve dos transportes contra as privatizações do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Assembleia Legislativa de SP definiu uma data para colocar em pauta de vez o projeto de desestatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de SP): a próxima segunda-feira (4).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A proposta enviada pelo governo para apreciação dos deputados autoriza que o estado tenha uma participação na companhia menor do que os atuais 50,3% -o governo fala em algo entre 15% e 30%, mas ainda não definiu qual será a participação, o que é objeto de crítica dos parlamentares da oposição.

A proposta já havia sido aprovada em comissões da assembleia na última semana e chegou ao plenário nesta terça-feira (28), mas recebeu duas novas emendas e precisou voltar para os grupos de discussão anteriores. O rito já estava previsto, já que eram necessários apenas 19 votos para que as emendas fossem apreciadas.

O acordo entre os deputados é que as comissões analisem as emendas de maneira expressa e que o projeto vá para votação na segunda-feira.

SESC PICASSO

"Nós faremos aqui o debate o mais amplo possível para esclarecer à sociedade o que significa a entrega da empresa mais importante do estado para acionistas que não vão ter a mesma preocupação que hoje o estado tem", disse o deputado Paulo Fiorilo (PT) na única intervenção feita na sessão desta terça-feira, que durou cerca de dois minutos e meio.

A previsão da oposição era que o projeto fosse discutido não na segunda, mas na terça-feira da semana que vem (5), mas o presidente da assembleia, André do Prado (PL), marcou a sessão para um dia antes "devido ao curto prazo que nós teremos aí até o final do ano para votação de diversos projetos que estão tramitando na casa", afirmou.

Os deputados da oposição querem empurrar a aprovação do projeto para a semana seguinte, incluindo dezenas de debatedores quando o texto chegar para a apreciação dos parlamentares na próxima semana. A base de Tarcísio, porém, conta com o aval já na semana que vem.

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Como o governo toca a privatização a partir de um projeto de lei ordinária, são necessários apenas 48 votos do total de 94 deputados na votação em plenário, e a base de Tarcísio calcula ter folga para a aprovação.

A oposição, no entanto, tenta na Justiça barrar a tramitação por lei ordinária, argumentando que seria necessária uma PEC (proposta de emenda à Constituição) de São Paulo para vender a companhia de saneamento.

Outro argumento da oposição é que ainda não há previsão de quanto o governo deve arrecadar com a venda da empresa (já que não foi definida a participação estatal na companhia) nem quanto a tarifa deverá cair após a venda, um dos principais argumentos da gestão Tarcísio. O governo afirma que esses dados serão apresentados até janeiro, na próxima fase de estudos da privatização -após a aprovação do projeto na assembleia, portanto.

Políticos de partidos que compõem a base do governador em outras esferas da gestão pública não têm a mesma pressa que a assembleia. O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, afirmou em evento nesta terça que "falta discussão".

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"Nós não estamos fechados. Nós queremos um ambiente bom, mas transparente na sociedade", disse. "Nós estamos hoje, no ponto de vista de valor, sem a métrica básica. O que é? Ninguém tem a referência certa. De onde se tirou isso? De onde vem o cálculo dos investimentos previstos?", afirmou.

O contrato de exploração do abastecimento de água e de esgoto em São Paulo estabelece que, caso a companhia seja privatizada, o acordo está rompido e deve ser renegociado.

Em agosto, porém, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) incluiu a cidade em uma das chamadas Unidades Regionais de Abastecimento de Água e Esgotamento (Uraes). O governo pretende usar as Uraes para negociar contratos da Sabesp privatizada em bloco, e não cidade a cidade, enfraquecendo o poder de barganha de cada município.

Os vereadores afirmam que, mesmo com a inclusão na Urae, o contrato precisará ser renegociado com a capital. Por isso, foi criada na Câmara uma Comissão Especial para Estudos Relativos ao Processo de Privatização da Sabesp para discutir os termos da privatização.

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