O impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis no Brasil pode demorar a chegar ao consumidor. A avaliação é do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que aponta a existência de estoques e contratos já estabelecidos como fatores que retardam possíveis reajustes.
Nos últimos dias, o preço do petróleo registrou forte valorização no mercado internacional após o início de ataques militares envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. O conflito elevou o nível de incerteza no mercado global de energia e trouxe preocupação sobre o abastecimento mundial.
De acordo com o setor petrolífero, refinarias operam com estoques previamente adquiridos de petróleo. Esse mecanismo faz com que eventuais aumentos no preço internacional da commodity não sejam imediatamente repassados aos derivados, como gasolina e diesel.
Além disso, parte das compras e vendas de combustíveis ocorre por meio de contratos previamente estabelecidos. Esses acordos mantêm os valores negociados anteriormente, o que também contribui para adiar mudanças nos preços.
Avaliações do setor indicam que, caso o petróleo permaneça em níveis elevados por um período prolongado, o custo mais alto tende a ser incorporado gradualmente às novas compras feitas pelas refinarias. Esse processo ocorre à medida que o petróleo adquirido com preços mais altos passa a integrar a cadeia de refino e comercialização.
Segundo estimativas do setor, a transmissão completa desse aumento pode levar meses, já que contratos de fornecimento precisam ser cumpridos e estoques existentes continuam sendo utilizados.
Incerteza internacional influencia mercado
O comportamento futuro dos preços depende diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio. Entre os fatores que podem afetar o mercado estão a continuidade das operações militares, possíveis bloqueios de rotas estratégicas de transporte de petróleo e a eventual ampliação do conflito para outros países da região.
Um dos pontos acompanhados pelo mercado é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula parte significativa do petróleo exportado pelos países do Golfo Pérsico.
Estreito de Ormuz
Sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, o setor petrolífero avalia que o fechamento da passagem não interrompe totalmente o fluxo de petróleo da região, pois existem rotas alternativas de escoamento da produção.
Localizado na costa do Irã, o estreito é considerado a principal saída do Golfo Pérsico para o transporte internacional de petróleo. O bloqueio foi anunciado por Teerã como resposta aos ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel.
Mesmo assim, alguns países produtores possuem alternativas logísticas. O Iraque, por exemplo, pode transportar parte do petróleo por oleodutos que passam pela Turquia. Já a Arábia Saudita conta com estruturas que permitem levar suas exportações até o Mar Vermelho.
Os Emirados Árabes Unidos também possuem rotas alternativas, e o próprio Irã pode utilizar outros caminhos para escoar parte da produção.
Avaliações do setor indicam que essas alternativas não conseguem substituir integralmente o volume transportado pelo Estreito de Ormuz, mas permitem manter uma parcela relevante do fluxo de exportação.
Diante desse cenário, analistas apontam que mudanças mais duradouras no patamar do preço internacional do petróleo não devem ocorrer no curto prazo, pelo menos nas próximas semanas, enquanto o mercado acompanha os desdobramentos do conflito.
Fonte: ABr