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Economia

Prazo coloca em risco novo leilão da bacia da Foz do Amazonas e pressiona Silveira

FolhaPress 30/03/2025 06:30

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O leilão de 47 novos blocos de petróleo da bacia do Foz do Amazonas pode ser a última chance para o governo Lula (PT) expandir a exploração da margem equatorial, e o rumo incerto do pregão pressiona o Ministério de Minas e Energia, que já se prepara para buscar alternativas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A autorização para a oferta dos blocos foi dada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) e vence no dia 18 de junho —o leilão foi marcado para um dia antes, 17. Passada essa data, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) precisaria de um aval para oferecê-los ao mercado.

Um novo parecer é visto como improvável, pois dependeria do grupo de trabalho sobre óleo e gás do governo, órgão coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, de Marina Silva.

Procurada, a ANP afirma que estão em curso estudos para obtenção das "diretrizes ambientais" e ampliação do prazo para oferta dos blocos de petróleo da Foz do Amazonas —a agência, no entanto, não precisou se é o caso daqueles com validade até o meio do ano ou de outros.

"Com relação à atratividade dos blocos da margem equatorial, destacamos que as atividades exploratórias na Guiana e no Suriname resultaram em diversas descobertas de classe mundial", afirmou o órgão.

O Ibama afirmou que não lhe compete "a avaliação quanto às ofertas de blocos conduzidas pela ANP".

SESC PICASSO

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas tem sido um dos pontos de maior tensão dentro do governo Lula, colocando em lados opostos Marina e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O foco da disputa é a licença ambiental do Ibama para a Petrobras perfurar o bloco 59 —que não está entre os ofertados neste leilão, já que foi arrematado em 2013.

A estatal precisa que essa autorização seja dada ainda em abril para ter tempo de terminar a perfuração no prazo previsto de trabalho de sua sonda, até outubro. O Ibama deve frustrar esse prazo.

Como mostrou a Folha, essa licença (ou sua negativa) pode impactar diretamente o leilão de junho.

A menos de três meses do pregão, um representante das empresas afirma, sob anonimato, que elas demonstram estar moderadamente otimistas com o desfecho do caso. A falta da licença para a estatal, no entanto, aumenta a insegurança e diminui a atratividade do leilão, e as companhias dificilmente irão arrematar novos lotes se o cenário permanecer assim.

As empresas tem até esta segunda-feira (31), de acordo com a ANP, para demonstrar interesse em participar do leilão.

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Segundo representantes do setor, há sinais de que elas devem confirmar interesse nesta primeira etapa, mesmo sem a licença do Ibama, para garantir a possibilidade do empreendimento no futuro.

Dentre os 47 blocos selecionados, apenas os que tiverem interesse serão, de fato, ofertados no pregão.

Por outro lado, a efetiva participação no leilão, em junho, é incerta e algumas petroleiras já demonstram receio em participar da disputa se a Petrobras não tiver conseguido sua licença até lá, segundo outro representante do setor.

Este cenário, admitem integrantes do próprio governo, pressiona o ministério de Minas e Energia. A avaliação é que este leilão é a última chance da gestão Lula de ampliar a exploração na Foz do Amazonas.

A preocupação não é apenas sobre como suprir a demanda de petróleo, já que a produção do pré-sal deve começar a cair nos próximos anos, mas também a oportunidade de aumentar a arrecadação da União —pauta prioritária da área econômica do Executivo.

Diante do risco de um fiasco na expansão petroleira na margem equatorial, o ministro Silveira subiu o tom contra o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho.

Internamente, porém, o governo federal já começa a avaliar alternativas em outras regiões do Brasil, como oferta de novas áreas em bacias já exploradas.

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"A atratividade de um leilão depende de vários fatores, inclusive da existência de licença ambiental em outros blocos da mesma bacia sedimentar. Nesse sentido, se a área ainda não tiver licença ambiental, a atratividade pode ser reduzida, e os blocos não receberem ofertas ou receberem ofertas mais baixas", afirma Roberto Ardenghy, diretor do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás).

"Mas há outros fatores também que influenciam a decisão: condições geológicas do reservatório, profundidade, lâmina d’água e existência ou não de uma boa logística de suprimento", completa.

Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama, avalia que a chance de ampliar o prazo para oferta destes blocos de petróleo parece improvável, ainda mais no ano em que o Brasil é sede da COP, a Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

"O bloco 59 da Foz é a porteira. Quando sair essa licença, é difícil o Ibama negar outras em situação similar", diz.

No total, o leilão de junho terá 65 blocos na margem equatorial, sendo 47 na Foz do Amazonas, 17 na bacia Potiguar e um na bacia do Ceará.

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