Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h21m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Pochmann procura ministros, e aliados de Lula minimizam chance de saída do IBGE

FolhaPress 24/01/2025 13:25

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Márcio Pochmann, procurou ministros do governo Lula (PT) para discutir as dificuldades que vem enfrentando na relação com servidores do órgão, ao menos desde setembro do ano passado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O contato foi feito com a Secretaria-Geral da Presidência e com o Ministério da Gestão, segundo relatos de integrantes do primeiro escalão do governo. O assunto também chegou ao Ministério do Planejamento —ao qual o IBGE é vinculado.

De acordo com as mesmas pessoas, as divergências entre Pochmann e os servidores ficaram, até agora, restritas aos auxiliares de Lula e ainda não foram levados à mesa do presidente. Elas lembram ainda que o economista, que já presidiu o Instituto Lula, mantém canal direto com o presidente.

A gestão do economista, indicado por Lula para o comando do IBGE, virou foco de uma crise que se arrasta desde o ano passado com protestos de funcionários do órgão.

O tema ganhou força neste mês de janeiro, quando dois diretores entregaram seus cargos no instituto. Divergências com a gestão Pochmann teriam sido pontos centrais da decisão.

SESC PICASSO

Nesta semana, uma carta assinada por gerentes e coordenadores de pesquisas do IBGE afirmou que o clima está "deteriorado" e que as lideranças encontram "sérias dificuldades" para realizar suas funções.

Na opinião de aliados de Lula, opositores de Pochmann, à direita, se valem de problemas enfrentados com os funcionários na tentativa de desestabilizá-lo. Esse foi o tom usado pelo próprio presidente do IBGE ao apresentar o cenário de crise aos ministros do governo.

Embora reconheçam dificuldades na comunicação com servidores, integrantes do governo Lula defendem, sob reserva, o mérito das decisões tomadas por Pochmann, incluindo a criação de uma fundação autorizada a captar recursos para a implementação de projetos. Para uma pesquisa sobre o agronegócio, por exemplo, a expectativa é de arrecadar cerca de R$ 2 bilhões com o setor privado.

CONTADOR - BONUS

Outra queixa de servidores residiria na decisão do retorno gradual ao trabalho presencial e na mudança de endereço do instituto, sem prévia negociação com seus funcionários.

Os servidores cobram mais diálogo com o comando do órgão nas decisões, além da revisão de projetos da atual gestão, principalmente a criação da Fundação IBGE+, que poderá captar os recursos privados para a produção de trabalhos.

O estatuto desse novo órgão abre possibilidade para a realização de trabalhos para organizações públicas ou privadas. A Fundação IBGE+ chegou a ser apelidada por críticos de "IBGE paralelo".

A Assibge, associação que representa os servidores do órgão, diz que a fundação foi desenhada de forma sigilosa e pegou o corpo técnico de surpresa.

A presidência do IBGE, por sua vez, rebateu as críticas sofridas ao longo dos últimos meses. Em comunicado, chegou a declarar que o órgão é alvo de "mentiras" por parte de trabalhadores, ex-funcionários e instituições sindicais. A manifestação gerou indignação no corpo técnico.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Mesmo com esses ruídos, aliados do presidente afastam, pelo menos por ora, a hipótese de exoneração de Pochmann, lembrando que essa foi uma escolha pessoal do presidente. À época, Lula manifestou contrariedade com as críticas feitas ao aliado.

Lula ficou particularmente incomodado com as suspeitas de manipulação de dados levantadas contra o economista, por quem tem apreço. Lula chegou a classificar como uma descortesia supor que, na presidência do IBGE, Pochmann adulteraria dados.

Interlocutores do presidente também contestaram a versão de que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, tinha sido desprestigiada com a escolha, lembrando que ela não apresentou objeção ou alternativas ao nome do economista.

A relação entre Pochmann e Tebet é descrita como cordial e respeitosa. Ele costuma se reportar à ministra, apesar do trânsito direto com o presidente.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas