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Pochmann completa um ano no IBGE em meio a CNU e cobranças de sindicato

FolhaPress 18/08/2024 14:32

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O economista Marcio Pochmann completa neste domingo (18) um ano como presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em meio a expectativa por reforço no quadro de funcionários da casa e cobranças de lideranças sindicais por melhores condições de trabalho no órgão.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Indicado ao comando da instituição pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pochmann tomou posse em 18 de agosto de 2023. Um ano depois, o IBGE aguarda a aplicação das provas do CNU (Concurso Nacional Unificado), que ocorrem neste domingo.

A seleção, apelidada de "Enem dos Concursos", prevê 895 vagas para o órgão de pesquisas. O reforço é comemorado, mas não vai recuperar toda a mão de obra perdida ao longo dos últimos anos, segundo a Assibge, entidade sindical que representa os funcionários do instituto.

"No concurso unificado, o IBGE foi contemplado com um número considerável de vagas, se comparado a outros órgãos, mas não chega a repor o que temos hoje de funcionários já em condições de se aposentar", afirma Bruno Perez, diretor da Assibge.

O último concurso para o quadro permanente do instituto, com cargos de níveis superior e médio para diferentes áreas de conhecimento, ocorreu em 2015.

Segundo a Assibge, o número de servidores efetivos do IBGE era de 3.723 em julho deste ano. Ao final de 2010, o contingente estava em torno de 7.000, aponta a entidade.

Para realizar suas pesquisas, o instituto recorre também a trabalhadores temporários. Eles chegavam a 6.673 em julho deste ano, ou 64% do total (quase 10,4 mil), conforme a Assibge.

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A entidade afirma que os temporários ficaram de fora do reajuste salarial aprovado junto ao governo federal. Por isso, afirma ter cobrado a extensão da medida junto ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) e ao MPO (Ministério de Planejamento e Orçamento), ao qual o IBGE está vinculado.

Entre os servidores temporários estão os APMs (agentes de pesquisa e mapeamento), cuja remuneração é de R$ 1.512, patamar semelhante ao salário mínimo neste ano (R$ 1.412).

Os APMs, conforme a Assibge, são responsáveis por coletar dados relevantes do IBGE, como as estatísticas de mercado de trabalho e inflação.

Em manifestações recentes, Pochmann já lamentou o patamar de remuneração dos trabalhadores, mas indicou que mudanças em questões de carreira dependem de decisões do governo federal.

Questionado sobre o pleito da Assibge, o MPO disse que o tema está em discussão no MGI e que não faria comentários. A pasta da Gestão não respondeu.

Neste mês, Lula convidou Pochmann para participar de reunião ministerial em Brasília e falou em dar condições para o IBGE fazer mais. A Assibge, porém, afirma que a ausência de reajuste para os temporários contrasta com as declarações.

"Do ponto de vista do discurso, a nova presidência do IBGE valoriza mais os trabalhadores e conseguiu reverberar no governo federal uma maior valorização do instituto", diz Perez, da Assibge.

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"Agora, do ponto de vista de efeitos concretos, de remuneração e orçamento, os resultados ainda estão pendentes. Ainda não tivemos, por exemplo, reajuste para os trabalhadores temporários, que estão em situação calamitosa", completa.

Pochmann defende novo sistema

Desde que assumiu o instituto, Pochmann vem falando em construir "um novo IBGE", com planos de avanço na produção de estatísticas.

A indicação dele à presidência do órgão, porém, foi recebida com uma série de críticas de analistas do mercado financeiro e pesquisadores que questionam sua passagem pela presidência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de 2007 a 2012. Outra ala de acadêmicos demonstrou apoio ao economista no ano passado.

Uma das principais bandeiras de Pochmann no IBGE é a criação do Singed (Sistema Nacional de Geociências, Estatísticas e Dados).

A ideia é que o instituto atue como coordenador desse sistema, reunindo informações de diferentes bases, como registros administrativos (dados de órgãos públicos).

Wasmália Bivar, ex-presidente do IBGE (2011-2016), elogia o projeto. "Temos excelentes registros administrativos, e hoje em dia são bastante usados. Mas isso [criação do sistema] não é algo rápido", diz.

"Não é meramente fazer um acordo, um convênio. É fazer um sistema que possa garantir ao IBGE o acesso aos dados para que possam ser utilizados como informações estatísticas", completa Bivar, hoje professora da PUC-Rio.

Postura em rede social gera polêmica

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Outra pauta já defendida pela atual gestão do instituto é a ampliação dos canais de comunicação para além das entrevistas coletivas direcionadas à imprensa.

Pochmann, inclusive, já usou seu perfil na rede social X (ex-Twitter) para compartilhar compromissos da agenda à frente do IBGE.

No espaço, ele também já publicou opiniões pessoais sobre diferentes assuntos, incluindo críticas ao neoliberalismo e ao patamar dos juros no Brasil.

Essa postura contrasta com a defendida por ex-servidores do órgão que pregam a discrição como forma de evitar polêmicas e a vinculação do instituto a temas políticos.

"Isso [análises pessoais] não é uma coisa boa para o IBGE, porque confunde a pessoa com a instituição. Não cai bem", afirma Bivar.

"No fundo, não afeta o dia a dia institucional, mas cria ruídos. A instituição pode ficar muito melhor sem eles."

Um levantamento da FGV (Fundação Getúlio Vargas) publicado pela BBC News Brasil indicou que o IBGE passou a ser mais visado em postagens recentemente. Parte das manifestações traz ataques e críticas à instituição e a Pochmann.

A reportagem pediu entrevista com o presidente e também enviou perguntas por email para o IBGE, mas não recebeu retorno.

Em entrevista ao jornal em abril, Pochmann declarou ter encontrado uma estrutura "depauperada" no instituto e falou em trabalhar para promover um "salto" na produção estatística.

Na ocasião, o economista também rebateu críticas ao seu nome e disse não ver risco de causar ruídos para o órgão com suas análises no X.

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