Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que as famílias brasileiras têm adotado cada vez mais a prática de realizar novos empréstimos para quitar dívidas antigas. A informação faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada neste mês de março, com dados referentes ao mês de fevereiro de 2025.
Segundo a CNC, embora pareça um comportamento arriscado, essa estratégia das famílias não é considerada negativa, pois os novos empréstimos costumam apresentar condições mais vantajosas, com taxas de juros menores e prazos mais longos para pagamento.
Dívidas em atraso apresentam queda consecutiva
A pesquisa mostra que o hábito das famílias brasileiras de renegociarem dívidas ou trocarem dívidas antigas por novas mais acessíveis já reflete na diminuição dos atrasos. Em fevereiro, a proporção das famílias inadimplentes registrou queda de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior, totalizando 28,6%. Esse é o terceiro recuo consecutivo neste indicador.
Além disso, o percentual de famílias que afirmam não conseguir pagar as dívidas atrasadas também caiu, chegando a 12,3%, indicando uma melhora gradual na capacidade financeira dos consumidores.
Outro dado positivo revelado pela pesquisa é a redução no número de consumidores com atrasos superiores a 90 dias, representando atualmente 48,2% dos endividados – o menor percentual desde julho de 2024. Esse indicador vem caindo há quatro meses consecutivos.
Novo aumento no percentual de famílias com dívidas futuras
Apesar da queda na inadimplência, houve crescimento no percentual de famílias com dívidas a vencer. Após duas quedas consecutivas, o índice voltou a subir em fevereiro, alcançando 76,4%. Entre as principais modalidades dessas dívidas estão cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja e prestações de bens, como carro e imóveis.
Esse resultado ficou 0,3 ponto percentual acima do mês anterior, porém ainda 1,5 ponto percentual abaixo do nível observado em fevereiro de 2024, que foi de 77,9%.
Comprometimento de renda diminui, mas percepção negativa cresce
A pesquisa apontou também um sinal positivo em relação ao comprometimento do salário dos brasileiros com dívidas. O percentual de famílias que destinam mais da metade dos seus rendimentos para pagamento de dívidas caiu para 20,5%, sendo o menor desde novembro do ano passado.
Apesar desse dado favorável, aumentou o percentual de pessoas que se consideram "muito endividadas". O índice chegou a 16,1%, terceiro aumento consecutivo e o maior nível desde setembro de 2024. Por outro lado, caiu para 23,5% o percentual de pessoas que afirmam não ter dívidas deste tipo.
Pesquisa é ferramenta estratégica para empresários
A CNC ressalta que a Peic é um importante instrumento para empresários do comércio de bens, serviços e turismo. Segundo a instituição, o estudo auxilia na análise estratégica do crédito ao consumidor, permitindo melhor compreensão e adaptação às necessidades financeiras dos brasileiros.
“Essa opção das famílias brasileiras não é considerada ruim”, destaca o relatório da CNC, que reforça a importância da substituição de dívidas mais caras por outras mais baratas como forma de reorganização financeira.
Resumo dos principais indicadores da pesquisa Peic (Fevereiro/2025):
| Indicador |
Percentual |
Variação mensal |
| Famílias com dívidas a vencer |
76,4% |
+0,3 p.p. |
| Famílias com dívidas em atraso |
28,6% |
-0,5 p.p. |
| Famílias sem condição de pagar dívidas atrasadas |
12,3% |
em queda |
| Dívidas atrasadas há mais de 90 dias |
48,2% |
menor desde julho de 2024 |
| Comprometimento acima de 50% da renda |
20,5% |
menor desde novembro de 2024 |
| Pessoas que se consideram muito endividadas |
16,1% |
terceiro aumento consecutivo |
Com informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).