Entidade busca aproximar comércio, serviços e agronegócio, enquanto debate destaca peso dos biocombustíveis e das fontes renováveis na economia brasileira.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) quer ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas oportunidades geradas pelo agronegócio brasileiro. A estratégia foi discutida durante reunião do Conselho do Agronegócio da entidade, realizada nesta quinta-feira (27), em São Paulo.
O objetivo é fortalecer a integração entre comércio, serviços, indústria e produção agropecuária, criando novas possibilidades de negócios para empresas de menor porte que atuam direta ou indiretamente na cadeia do agro.
O presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, destacou que o agronegócio movimenta uma extensa rede de fornecedores, prestadores de serviços, indústrias e comerciantes, abrindo espaço para uma participação maior das pequenas empresas.
Cotait, que também preside a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, defendeu maior aproximação entre o sistema associativista e instituições ligadas ao setor agropecuário.
A capilaridade dessas entidades é apontada como um dos instrumentos para ampliar essa integração. A CACB reúne mais de 2,3 mil associações comerciais no país, enquanto a Facesp conta com 420 entidades no estado de São Paulo.
O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Sérgio Bortolozzo, também defendeu maior articulação entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva. Para ele, produtores, indústria e comércio precisam atuar de maneira integrada, especialmente em momentos de maior dificuldade econômica.
O debate também abordou o papel dos biocombustíveis e da bioeconomia na geração de renda e no desenvolvimento regional.
Durante o encontro, Plínio Nastari, presidente do Instituto Brasileiro de Bioenergia e Bioeconomia e CEO da Datagro, apresentou dados sobre a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira.
Segundo os números apresentados, 49,5% da oferta interna de energia do Brasil em 2025 veio de fontes renováveis. O percentual supera a média mundial, de 14,5%, e a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, de 13,8%.
A cana-de-açúcar respondeu por 15,8% da matriz energética nacional, participação superior à da energia eólica, de 3,1%, e da solar fotovoltaica, de 2,7%.
Os dados apresentados também mostram diferenças importantes entre o perfil energético brasileiro e o de grandes economias. Enquanto países como China e Estados Unidos concentram parcela elevada das emissões na geração e no consumo de energia, o Brasil apresenta participação relevante das mudanças no uso da terra e das florestas.
As emissões brasileiras foram estimadas em cerca de 2,1 gigatoneladas, diante de aproximadamente 51 gigatoneladas no mundo.
O transporte também entrou no debate. Segundo o critério apresentado durante a reunião, cerca de 35% da frota brasileira poderia ser classificada como composta por veículos considerados limpos, principalmente devido à utilização de biocombustíveis.
A participação do etanol e de outros combustíveis renováveis diferencia o Brasil de países que concentram suas estratégias de redução de emissões principalmente na eletrificação da frota.
Para os participantes do encontro, entretanto, o crescimento dos biocombustíveis precisa ser acompanhado de regras mais claras e de um ambiente regulatório capaz de oferecer segurança para produtores, indústria, comércio e consumidores.
O Conselho do Agronegócio da ACSP pretende utilizar essa aproximação entre os setores para discutir políticas públicas, identificar novos modelos de negócios e ampliar oportunidades envolvendo alimentos, fibras, energia renovável e serviços relacionados ao agro.
A expectativa é que a integração permita que empresas de diferentes portes participem de forma mais intensa da renda e dos investimentos gerados por uma das principais cadeias econômicas do país.