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Pará fará maior emissão de crédito de carbono do mundo em setembro, diz Barbalho

FolhaPress 16/08/2024 16:16

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse nesta sexta-feira (16) que o estado fará sua primeira emissão de crédito de carbono no dia 24 de setembro, no Climate Week, em Nova York. A iniciativa já tinha sido adiantada pelo mandatário em abril, mas agora o governador deu mais detalhes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

À Folha, Barbalho disse que o negócio será feito em parceria com a Coalização Life de Negócios e Biodiversidade, que será responsável por atrair os investidores. O projeto vai envolver, além da iniciativa privada, governos de países signatários da coalizão, como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e França.

Segundo Barbalho, esta será a maior comercialização de crédito de carbono do mundo, tanto quantitativamente falando, em termos de valores, como qualitativamente.

"Para você ter uma ideia, nós estamos falando em uma comercialização de US$ 15 a tonelada, enquanto o mercado está pagando US$ 3, US$ 4, US$ 5, US$ 6. Então, nós estamos falando de um preço quase que o triplo do preço que está sendo praticado. Isso pela qualidade do crédito, pela comprovação da redução das emissões do estado", afirmou o governador durante o 23 Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.

Hoje, o mercado privado de crédito de carbono ainda está em processo de maturidade e são muitas as empresas, inclusive certificadas por agências internacionais, que adotam práticas ilegais, como grilagem de terras e uso de reservas ambientais, em seus projetos de geração de crédito.

Por isso, segundo Barbalho, o estado optou por fazer uma emissão a partir do restauro de terras feito 100% pelo estado do Pará.

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"Essa emissão vai ser feita pelo governo a partir das reduções [de carbono] que nós conseguimos e gerando o crédito. Neste momento, nós temos 156 milhões de toneladas [na carteira] até 2026, a partir da comparação do que tínhamos de emissão antes de 2020 e o que estamos emitindo hoje", disse à reportagem durante o 23º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.

A operação envolve 1 milhão de créditos de carbono. O potencial financeiro é calculado acima dos R$ 10 bilhões, o que colocaria a fonte de recursos no mesmo nível de importância dos setores de mineração e agronegócio na economia paraense.

Uma parte do recurso levantado com a emissão irá para o Estado, que obrigatoriamente vai aplicar o dinheiro na continuidade da política de redução de emissões. A outra parte será destinada para comunidades indígenas, quilombolas e para a agricultura familiar.

Segundo Barbalho, o estado do Pará está passando por um processo de mudança de seu modelo de economia da terra, passando da exploração e extrativismo ao modelo de sustentabilidade. O estado, no próximo ano, será palco da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025).

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"Isso nos exige adotar medidas baseadas na natureza, que possam viabilizar esse novo modelo ao nosso estado", disse.

"O Pará hoje é o estado que mais reduz o desmatamento de todas as unidade da federação", afirmou o governador ao público do evento do Lide. Segundo Barbalho, o Pará reduziu em 42% o desmatamento no estado em 2023 em relação ao ano anterior.

No evento, o governador anunciou ainda uma concessão que será feita pelo Pará de 40 anos para o restauro de terras no estado. A expectativa é que a cada 10 mil hectares restaurados possa-se reduzir a emissão de 4 milhões de toneladas de carbono.

Helder Barbalho também anunciou que a partir de março do próximo ano fará concessão de saneamento no estado, para que a participação privada acelere a universalização de acesso a água tratada e esgotamento.

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