O Panamá oficializou sua entrada no Mercosul como Estado associado, nesta sexta-feira (6), durante a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, realizada em Montevidéu, Uruguai. A adesão marca um passo histórico para a integração do país centro-americano, que assinou três acordos, incluindo um de complementação econômica, voltado para a redução de tarifas de exportação. O evento também foi palco para outro avanço significativo: o anúncio do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), após 25 anos de negociações, prometendo impulsionar o comércio internacional.
A entrada do Panamá no Mercosul teve articulação destacada do Brasil. Na cúpula anterior, realizada no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente panamenho, José Raúl Mulino, avançaram as negociações para o ingresso. “Dou as boas-vindas ao presidente José Raúl Mulino, do Panamá, que passa a ser o primeiro estado associado do Mercosul na América Central. Hoje lançamos as bases para a futura liberalização comercial com o Panamá, por onde passam 6% do comércio mundial”, afirmou Lula. Mulino, por sua vez, destacou a importância do Panamá como hub logístico e o potencial para ampliar o comércio do Mercosul. “Este bloco é um gigante global em produtos agrícolas e industriais. Somos complementares e devemos nos fortalecer”, declarou.
O comércio entre Brasil e Panamá já aponta para oportunidades de crescimento. No primeiro semestre de 2024, as exportações brasileiras somaram US$ 440,9 milhões, enquanto as importações de produtos panamenhos atingiram US$ 7,8 milhões, gerando um superávit para o Brasil de US$ 433,1 milhões.
Outro destaque da cúpula foi o anúncio da formalização do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. A parceria, que vinha sendo negociada há mais de duas décadas, visa reduzir tarifas de exportação e promete maior integração econômica entre as regiões, beneficiando setores como o agrícola, industrial e de serviços.
Com sua experiência logística e localização estratégica, o Panamá se une a outros Estados associados do Mercosul, como Chile, Colômbia e Peru, ampliando as possibilidades de integração comercial e política. A entrada do país centro-americano reforça o papel do Mercosul como um dos blocos mais relevantes no cenário global, enquanto o acordo com a União Europeia aponta para um futuro de maior dinamismo nas relações econômicas internacionais.