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Economia

País dobra frota de aviões agrícolas em 13 anos

FolhaPress 03/05/2024 07:50

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O forte crescimento da produtividade e das lavouras de grãos no Centro-Oeste, o desenvolvimento do Matopiba e a distribuição das atividades agrícolas em estados até então pouco tradicionais no setor fizeram a aviação agrícola dobrar de tamanho no Brasil em apenas 13 anos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A frota brasileira em 2010 era de 1.300 aeronaves, e o setor fechou o ano passado com 2.600 aviões, segundo o Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola). O destaque é o Ipanema, da Embraer, movido a etanol há 20 anos.

Só em 2023 entraram no mercado 149 aeronaves, superando os anos anteriores, que oscilavam entre 90 e 100 novos aviões no agro.

"Há uma expectativa de que em 2024 a gente passe desses 149. No mínimo vai ser igual, e isso representa, basicamente, que de 30% a 35% de todos os aviões agrícolas fabricados no mundo estão vindo para o Brasil", disse Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag.

Ela classifica o momento atual como o melhor da história da aviação agrícola no país, iniciada em 1947. O primeiro voo foi em 19 de agosto daquele ano em Pelotas (RS), para combater nuvens de gafanhotos. A data ficou marcada como Dia Nacional da Aviação Agrícola.

"Você tem hoje muito mais procura do que o mercado consegue atender. Fabricantes estão com fila de espera para 2026. Tanto os estrangeiros, que são dois, quanto o nacional, que é a Embraer. O pessoal briga para entrar na fila para comprar o Ipanema", disse.

Mais da metade dessa frota é do modelo Ipanema, segundo o Sindag. Como desde 2004 ele sai de fábrica movido a etanol, a entidade afirma que cerca de um terço da frota do país é hoje movida a biocombustível.

SESC PICASSO

No ano passado, a Embraer entregou 65 aeronaves Ipanema, 18% mais que no ano anterior. Em dezembro, a fabricante brasileira atingiu a marca de 1.600 aviões do modelo entregues em cinco décadas de produção.

A previsão da empresa, feita em janeiro, é a de que sejam entregues 70 aeronaves em 2024. "É uma aeronave que nunca deixou de evoluir, ainda é a principal do mercado", disse Colle.

Para ele, o crescimento está diretamente ligado à necessidade dos produtores rurais em larga escala nas fronteiras agrícolas desbravadas nas últimas décadas.

"Tem a ver com necessidade, mas a aviação é também o jeito mais barato de pulverizar. Como a agricultura brasileira está crescendo do meio do país para cima, para o Norte, são áreas muito grandes, o avião vai muito bem. E havia um mito de que aviação agrícola é cara."

Das 2.600 unidades apontadas pelo Sindag, 600 estão em Mato Grosso, 420 no Rio Grande do Sul, 330 em São Paulo, 300 em Goiás, 150 no Paraná e 140 em Mato Grosso do Sul.

"Mato Grosso, há dez anos, tinha muito pouco e hoje já é mais de 20% da frota, e segue subindo. Há quatro anos não havia nenhum avião agrícola em Rondônia e agora já são 30. O produtor começa a ver que, com [a pulverização] terrestre não vai dar conta. Porque as janelas da aplicação estão muito pequenas, porque ou chove demais ou chove pouco."

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As operações aéreas abrangem as aplicações de defensivos químicos ou biológicos e de fertilizantes, além de semeadura e combate a incêndios em vegetação.

AVIÃO DE QUASE R$ 50 MILHÕES

Mas, muito além da aviação agrícola, a executiva tem atraído muito os empresários ligados ao agronegócio, que na Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), em Ribeirão Preto, podem comprar modelos que custam de US$ 1 milhão (R$ 5,17 milhões) a US$ 9,255 milhões (cerca de R$ 48 milhões).

A TAM Aviação Executiva tem na feira um de seus principais canais de aproximação com o agro, que representa importante fatia das vendas anuais. Tanto que, além dos modelos expostos na fazenda em que ocorre a feira, também tem aviões e helicópteros em exposição no aeroporto de Ribeirão Preto.

Dos aviões a pistão, 100% das vendas nos últimos dois anos foram para o agro. Do modelo King Air, 66% foram para o agro e, do Caravan, 43% das aeronaves vendidas tiveram como compradores pessoas ou empresas ligadas ao agro nos últimos dois anos.

Grandes empresas e produtores rurais também foram responsáveis por comprar 37% dos jatos comercializados pela TAM, conforme a empresa.

Na Agrishow estão expostos um Grand Caravan (9 passageiros e 2 tripulantes) e um modelo Cessna 206 Turbo Stationair, ambos fabricados pela Textron Aviation. Já no aeroporto Leite Lopes estarão expostas quatro aeronaves, que também farão voo demonstração: Cessna Grand Caravan EX, um jato Cessna Citation M2 Gen2, um helicóptero modelo 505 da Bell e um Beechcraft King Air 360.

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Leonardo Fiuza, presidente da TAM Aviação Executiva, disse que o perfil do comprador é o de ser dono de uma ou mais grandes empresas no agro e que geralmente possui diversas fazendas, frigoríficos ou indústrias de beneficiamento de alimentos.

"Geralmente são pessoas jurídicas de médio e grande porte que compram a maioria das aeronaves. Mas temos também aqueles empresários do agronegócio que às vezes compram individualmente. Compram na pessoa física para o deslocamento entre as fazendas", disse.

O modelo mais barato à venda na TAM é o Cessna 206 Turbo Stationair, a partir de US$ 990 mil, sem impostos, enquanto o mais caro é o Beechcraft King Air 360, com custo, também sem impostos, a partir de US$ 9,25 milhões.

O aquecimento do mercado de aviação para pulverização ou executivos do agronegócio tem despertado a atenção também dos bancos, segundo Ricardo França, head comercial de agronegócios do Santander.

"Antes da pandemia, eu passei pela Embraer [na Agrishow] e fui conversar com clientes. Foram os maiores negócios da feira que nós fizemos. Os produtores, muitos deles grandes, pulverizam com o avião. Um dos clientes não sabia que era possível financiar aviões", disse.

O país tem também cerca de 2.200 pilotos agrícolas com licenças válidas, segundo o Sindag --o número normalmente é menor que o de aeronaves pois nem todos os aviões voam ao mesmo tempo.

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