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Economia

Pacheco deve reunir líderes na 2ª semana de janeiro para tratar da MP da reoneração

FolhaPress 02/01/2024 17:48

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), deve reunir os líderes de partidos da Câmara e do Senado na segunda semana de janeiro para tratar do futuro da MP (medida provisória) que prevê a reoneração gradual da folha de pagamentos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A data ainda não está marcada, mas o senador indicou a aliados que pretende organizar a conversa para o dia 8 ou 9 de janeiro. Pacheco só decidirá se devolverá ou não a proposta ao governo após a reunião.

A MP foi anunciada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) na última semana de dezembro e sofreu resistência imediata de parlamentares.

Uma das reclamações dos senadores e deputados é sobre o instrumento escolhido pelo governo, uma medida provisória, que prevê a revogação da lei da desoneração da folha que foi aprovada pelo Congresso, e cujos efeitos começam a partir de 1º de abril de 2024.

A medida foi considerada uma tentativa do governo de impor a sua vontade aos parlamentares, que pediram a Pacheco que devolva a MP ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, nem a deixe tramitar no Legislativo.

O senador Efraim Filho (União Brasil-PB), classificou a edição da MP como uma "afronta" ao Congresso e disse que o ideal seria que Lula enviasse um projeto de lei ao Parlamento, para que ele fosse debatido.

Efraim foi autor do projeto de desoneração que foi vetado por Lula. Posteriormente, o veto foi derrubado pelos parlamentares.

SESC PICASSO

O próprio presidente do Senado disse ver com "estranheza" a medida e afirmou que ouviria os líderes das duas Casas porque há um contexto "de reação política" à edição da medida provisória que precisa ser levado em conta.

"Farei uma análise apurada do teor da medida provisória com o assessoramento da consultoria legislativa do Senado Federal. Para além da estranheza sobre a desconstituição da decisão recente do Congresso Nacional sobre o tema, há a necessidade da análise técnica sobre os aspectos de constitucionalidade da MP", afirmou Pacheco por meio de nota, em dezembro.

Pacheco foi avisado por Haddad de que o governo publicaria a MP e alertou o ministro de que a iniciativa sofreria resistências. Na conversa, o senador não se comprometeu nem a manter a tramitação da proposta, nem a devolver a peça ao governo.

Apesar disso, integrantes da área política e econômica do governo apostam que ele dará tramitação à matéria.

De acordo com ministros, a decisão de editar uma medida provisória foi tomada, para evitar que o governo tivesse que ir ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a lei da desoneração que foi aprovada pelo Congresso, já que Lula teve seu veto ao projeto derrubado pelos parlamentares.

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Inicialmente, os efeitos da MP entrariam em vigor já em 1º de janeiro. Na véspera da publicação da medida no Diário Oficial da União, porém, a área jurídica do governo -formada por AGU (Advocacia Geral da União) e SAJ (Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil)- alertou que o ideal era aplicar o princípio da noventena para evitar qualquer questionamento jurídico e blindar a medida.

A noventena prevê que qualquer mudança relativa a tributos precisa de 90 dias para entrar em vigor, contados a partir da publicação da norma. A alteração contrariou os técnicos da Fazenda, que veem a reoneração como uma nova sistemática de benefício fiscal, mas prevaleceu a análise da área jurídica do governo.

A mudança acaba também por facilitar também a negociação com os parlamentares. A equipe econômica espera em até 90 dias reduzir a resistência dos parlamentares à medida e chegar a um acordo.

A MP foi anunciada por Haddad como parte do pacote de três propostas para evitar a perda de arrecadação da União.

Uma delas prevê a reoneração gradual da folha de pagamento por atividade como alternativa à prorrogação do benefício integral até dezembro de 2027. A medida prevê a criação de dois grupos de empresas beneficiadas com alíquotas reduzidas sobre o primeiro salário mínimo.

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A contribuição patronal será de 10% para o primeiro grupo, que inclui atividades de transporte, rádio, televisão e tecnologia da informação.

Para o segundo grupo, que inclui atividades do mercado editorial, da indústria têxtil, de couro e de calçados, além de empresas da construção civil e de obras de infraestrutura, a tributação será de 15% na faixa de até um salário mínimo de seus funcionários. Sobre a parcela que exceder esse valor será aplicada a alíquota padrão, de 20%.

Até 2027 haverá a gradual recomposição das alíquotas sobre o primeiro salário mínimo, de maneira diferenciada para cada grupo.

Entre os 17 setores da economia beneficiados está o de comunicação, no qual se insere o Grupo Folha, empresa que edita a Folha de S.Paulo. Também são contemplados os segmentos de calçados, call center, confecção e vestuário, construção civil, empresas de construção e obras de infraestrutura, entre outros.

A outra medida anunciada pela Fazenda prevê limitar a compensação tributária feita por empresas por meio de decisões judiciais. A terceira é a mudança na lei do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), que oferece benefícios para empresas aéreas e ligadas a entretenimento.

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