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Economia

Ônibus elétrico com bateria de nióbio roda pouco, mas recarga ocorre em 10 minutos

FolhaPress 19/06/2024 13:51

ARAXÁ, MG (FOLHAPRESS) - "O senhor já ouviu falar em nióbio?", perguntava Éneas Carneiro (1938-2007) diretamente para a câmera, em vídeo de campanha de 1996. Em resposta, a dra. Havanir, então candidata à prefeitura de São Paulo, dizia: "O nióbio é o metal do próximo século, que permite construir aviões supersônicos."

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O próximo século chegou e, com ele, novas aplicações para o elemento. Ele está presente na bateria do futuro ônibus elétrico da VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus).

O nióbio substitui o grafite no ânodo (polo negativo) da bateria de íon-lítio. O metal é combinado ao titânio e, segundo os desenvolvedores, permite recargas mais rápidas, além de maior durabilidade.

O ônibus de piso baixo foi construído com base no Volkswagen e-Delivery, primeiro caminhão 100% elétrico produzido no Brasil. A fábrica fica em Resende (RJ).

O primeiro e-Bus da Volks será lançado em agosto, mas ainda com as baterias convencionais, sem nióbio.

A nova tecnologia segue em desenvolvimento avançado, embora não haja uma data de chegada ao mercado. A expectativa das empresas envolvidas é que o lançamento comercial ocorra ao longo de 2025.

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O protótipo da Volkswagen está configurado sobre um chassi com capacidade de 18 toneladas. A autonomia é baixa, apenas 60 quilômetros. Isso, contudo, é compensado pela recarga ultrarrápida.

Segundo a VWCO, é possível recuperar a energia em 10 minutos quando o veículo está plugado em um pantógrafo (acoplagem no teto) de 300 kW. Essa solução possibilita rodar continuamente, com paradas para reabastecimento ocorrendo em instalações adequadas ao longo da rota.

O processo é mais prático com esse sistema, segundo Rodrigo Chaves, vice-presidente de engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Mais de 90% das aplicações serão para o uso metropolitano no transporte público.

A empresa instalou, em parceria com a ABB, um equipamento de recarga em Araxá (MG), na sede da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração). A empresa é a maior produtora de nióbio do mundo.

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Durante a demonstração, o reabastecimento foi concluído em 8 minutos e 37 segundos. No término, o pantógrafo foi desconectado automaticamente.

Já os ônibus elétricos convencionais, embora tenham maior autonomia, exigem que a recarga seja feita nas garagens das empresas em um processo mais longo, que exige maior infraestrutura, com parada do veículo por algumas horas.

O modelo da Volks está equipado com quatro packs de bateria, e cada um tem até 30 kWh de capacidade. Estima-se que a durabilidade seja superior a 10 mil ciclos de recarga.

De acordo com a VWCO, o acumulador com nióbio é mais estável, o que reduz o acúmulo de dendritos —que são cristais de lítio que se formam a partir dos ânodos e podem prejudicar o rendimento do equipamento.

A tecnologia para a nova bateria foi desenvolvida pela japonesa Toshiba em parceria com a CBMM.

Sediada em Araxá, a empresa brasileira é controlada pela família Moreira Salles, que detêm 70% da companhia. Chineses, japoneses e sul-coreanos dividem os 30% restantes. Há capacidade para produzir 150 mil toneladas de nióbio por ano.

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As atividades na cidade mineira tiveram início em 1955. Ricardo Lima, CEO da CBMM, diz que, naquela época, ainda não tinha ideia de quais aplicações seriam possíveis para o metal.

O Brasil é responsável por aproximadamente 90% do nióbio produzido no mundo. Dos metais críticos para a transição energética, é o mais abundante no Brasil.

Após processado, o elemento adquire um tom cinza escuro, levemente brilhante. É até semelhante ao grafite que substitui.

Segundo a CBMM, o metal pode ser manufaturado a partir de minérios diversos, como pirocloro e columbita. O produto usado na bateria é o óxido de nióbio.

Há grande interesse global pela tecnologia, já que pode resolver um dos principais problemas dos veículos elétricos: o tempo necessário para recarga.

O desafio é gerar combinações que permitam maior autonomia e conseguir chegar a uma escala de produção que possibilite reduzir os custos de aplicação.

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O jornalista viajou a convite da VWCO e da CBMM

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