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Economia

OEC, ex-Odebrecht, pede recuperação judicial com dívidas de US$ 4,6 bi

FolhaPress 27/06/2024 16:42

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A OEC (Odebrecht Engenharia e Construção), construtora da Novonor (antiga Odebrecht), pediu recuperação judicial nesta quinta-feira (27) para renegociar US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 25,3 bilhões) em dívidas financeiras e operacionais e de operações antigas do grupo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A informação foi antecipada pelo Valor Econômico e confirmada pela Folha. A empresa afirma que o pedido refere-se apenas à operação no Brasil, onde 21 obras estão em andamento no momento. A companhia tem atuação em Angola, Gana e nos Estados Unidos, com outros dez projetos em curso.

O andamento desses empreendimentos não será afetado pela medida judicial, diz a construtora.

A expectativa da companhia é ter um plano de recuperação pronto nos próximos dois meses. O prazo é previsto pela legislação de RJs, mas, em geral, as companhias pedem mais tempo para negociar acordos com credores antes da discussão final do plano.

SESC PICASSO

No caso do processo da OEC, a empresa diz que as negociações com seus principais credores financeiros já teve início e que, por isso, acredita que sua RJ será "célere e controlada, em prazo inferior àquele usualmente necessário em iniciativas desse porte", diz a companhia em nota.

O pedido de recuperação judicial da construtora já inclui um financiamento do tipo DIP (do inglês "debtor-in-possesion financing", ou "financiamento do devedor em posse") de até R$ 650 milhões. O valor será usado, segundo a empresa, para equacionar o endividamento, reforçar o fluxo de caixa e injetar liquidez para financiar projetos, capital de giro e obter garantias.

"Esta estrutura mostrou-se como a mais apropriada para adequação dos passivos e viabilização de uma captação de novos recursos", disse, em nota, Maurício Cruz Lopes, presidente da OEC. "A iniciativa fortalece a OEC não apenas nos projetos em andamento e na conquista de novos, como também no atendimento a credores e fornecedores".

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A OEC é vista pelo grupo Novonor como seu principal eixo para a manutenção dos negócios, abalados a partir da operação Lava Jato, que investigou corrupção em contratos de obras públicas. Desde então, o grupo passou a centrar sua operações no braço de engenharia e construção.

A holding desfez da Atvos (biocombustíveis) e Ocyan (óleo e gás) e tenta vender sua parte na Braskem (petroquímica). A controladora está em recuperação judicial, mas o processo não incluía o braço de construção.

Em 2022, a OEC teve receita bruta de R$ 4,7 bilhões, menos de 10% do que tinha em 2015, quando bateu R$ 55,9 bilhões, um recorde histórico. A carteira de projetos da construtora está em US$ 4,6 bilhões e poderá passar de US$ 5 bilhões em 2024, segundo a empresa.

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A OEC registrou, no ano passado, um prejuízo consolidado de R$ 741,4 milhões, segundo relatório de demonstrações financeiras auditado pela BDO. No documento, há o apontamento de "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional" porque seu passivo circulante estava maior do que seu patrimônio.

Em 2023, a empreiteira foi novamente habilitada a fechar contratos com a Petrobras, em categoria plena, que permite a participação em todos os tipos de concorrência. Antes disso, a empresa recebeu selos de integridade do Ministério de Infraestrutura.

Também em 2023, a OEC ganhou um selo da CGU (Controladoria Geral da União) que reconhece empresas que aprimoraram seus mecanismos de transparência e controle. A política de governança da companhia tem o aval do Departamento de Justiça dos EUA, do Ministério Público Federal e do Banco Mundial.

Em entrevista à Folha, o diretor de Integridade e Riscos da Novonor, Rafael Mendes, defendeu que a revisão do acordo de leniência fechado pela empresa em 2018 é necessária para refletir a atual situação da empresa.

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