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Economia

Obstrução de bolsonaristas ameaça derrubar correção da tabela do Imposto de Renda

FolhaPress 06/08/2025 14:20

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O bloqueio das sessões na Câmara dos Deputados e no Senado Federal pela oposição, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ameaça derrubar a ampliação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Essa faixa de isenção está em vigor por causa de uma medida provisória (MP) editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que elevou o valor isento de até R$ 2.259,20 para até R$ 2.428,80 -uma correção de 7,5%. A iniciativa isenta os contribuintes com renda mensal de até R$ 3.036 (equivalente a dois mínimos) porque se soma ao desconto simplificado de R$ 607,20.

A MP que garante esses valores, no entanto, perderá a validade se não for aprovada pelo Congresso até segunda-feira (11). Um projeto de lei foi votado pela Câmara em junho para garantir a isenção, mas depende de aprovação pelo Senado até essa data. Se isso não ocorrer, a faixa de renda isenta voltará aos patamares anteriores a partir de terça (12).

SESC PICASSO

Os plenários da Câmara e do Senado estão ocupados por deputados e senadores bolsonaristas, como forma de pressionar os presidentes a darem andamento ao que eles chamaram de "pacote da paz": a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro, o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o fim do foro especial.

As sessões foram canceladas nesta terça (5) por causa da ocupação e reuniões com os líderes de todos os partidos foram convocadas para 16h desta quarta, para tentar negociar um acordo que permita desobstruir a pauta.

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Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) critica o impedimento dos trabalhos no plenário da Câmara e do Senado e afirma que isso poderá fazer com que mais brasileiros paguem Imposto de Renda "por conta de interesses mesquinhos e particulares". "Isso é fazer oposição ao Brasil", diz.

O senador Jorge Seif (PL-SC) rebate que o interesse da oposição é pressionar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a pautarem o projeto de lei que anistia o ex-presidente Bolsonaro e os condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023.

"Vamos tentar chegar a um acordo [sobre o projeto do Imposto de Renda]. Não queremos prejudicar o Brasil", diz Seif. "Mas não pode uma pessoa, o presidente da Câmara ou do Senado, ignorar um clamor popular e decidir sozinho sobre um projeto como a anistia".

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O reajuste em faixas da tabela do IR faz com que pessoas de menor renda deixem de pagar o imposto, mas também beneficia aqueles com maiores salários, já que as alíquotas são progressivas e escalonadas, aplicadas a cada intervalo salarial do contribuinte.

A Receita Federal estima um impacto de R$ 3,29 bilhões de renúncia fiscal em 2025, de R$ 5,34 bilhões em 2026 e de R$ 5,73 bilhões em 2027. O impacto será menor em 2025 porque a medida somente entrou em vigor no mês de maio e, portanto, não terá reflexos sobre a arrecadação do primeiro quadrimestre.

Parte dos governistas defende ignorar os protestos e realizar a sessão de plenário do Senado de forma remota, com Alcolumbre presidindo os trabalhos de uma sala, como já ocorreu na pandemia. O presidente do Senado, porém, teria descartado essa ideia. Na terça, ele criticou a ocupação em nota e disse que isso "constitui exercício arbitrário" da oposição.

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