Teste identifica biomarcador associado à doença e é indicado principalmente para pessoas que já apresentam sinais de comprometimento cognitivo
Um novo exame de sangue destinado a auxiliar na investigação da doença de Alzheimer foi aprovado para uso no Brasil. O teste mede a concentração da proteína p-tau217, considerada um dos biomarcadores associados às alterações cerebrais características da doença.
A novidade pode tornar parte do processo diagnóstico mais simples e menos invasivo. Atualmente, a investigação do Alzheimer pode exigir exames de imagem específicos ou análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar.
Apesar da facilidade da coleta sanguínea, o exame não foi desenvolvido para ser incluído em check-ups de rotina nem para rastrear indiscriminadamente pessoas sem sintomas.
Quem deve fazer o teste
A principal indicação é para pacientes que já apresentam alterações cognitivas que precisam ser investigadas, como perda de memória persistente, dificuldades de orientação, mudanças na capacidade de atenção ou prejuízo para realizar tarefas habituais.
O resultado deve ser interpretado por um médico e analisado em conjunto com o histórico do paciente, avaliação clínica, testes cognitivos e, quando necessário, outros exames.
Isso significa que uma alteração no teste de sangue, isoladamente, não determina que uma pessoa tenha demência provocada pelo Alzheimer.
O que o exame procura
O Alzheimer está associado a alterações de proteínas presentes no cérebro, entre elas a beta-amiloide e a tau.
A p-tau217 é uma forma alterada da proteína tau que pode ser detectada na circulação sanguínea. Concentrações elevadas desse marcador apresentam associação com alterações encontradas no cérebro de pacientes com a doença.
A possibilidade de medir esse biomarcador por meio de uma coleta de sangue abre caminho para uma investigação mais acessível e pode ajudar médicos a identificar quais pacientes precisam avançar para exames complementares.
Exame não é recomendado para pessoas sem sintomas
Mesmo quem possui histórico familiar de Alzheimer não deve realizar o teste por iniciativa própria apenas para descobrir se poderá desenvolver a doença no futuro.
Alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer podem surgir anos antes de manifestações clínicas. Por isso, identificar um biomarcador em uma pessoa saudável não permite prever, sozinho, se ela desenvolverá demência nem quando isso poderia acontecer.
O uso indiscriminado também pode provocar ansiedade e interpretações equivocadas sem trazer benefício clínico concreto.
Diagnóstico precoce ganha importância
A identificação da doença nas fases iniciais tornou-se ainda mais relevante com o desenvolvimento de tratamentos destinados a pacientes que apresentam alterações precoces.
Nesse cenário, exames sanguíneos podem ajudar a tornar a investigação mais rápida e reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos em parte dos pacientes.
O avanço, porém, não substitui a avaliação médica. O diagnóstico do Alzheimer continua dependendo da combinação entre sintomas, histórico clínico, testes cognitivos e exames capazes de confirmar as alterações relacionadas à doença.
A disponibilidade comercial, o custo e a eventual cobertura pelo sistema público ou por planos de saúde ainda dependem da forma como o novo exame será incorporado à prática médica no país.