Formação com equipe psicossocial da rede municipal discutiu uso excessivo de telas, cyberbullying, saúde mental e atuação das escolas na proteção dos estudantes
A violência digital e os impactos do uso de telas na vida de crianças e adolescentes foram tema de uma formação realizada nesta quarta-feira (7), em Aracruz, com profissionais da equipe psicossocial da rede municipal de ensino.
O encontro ocorreu no auditório do Polo UAB, no Centro, e reuniu integrantes da Secretaria Municipal de Educação para discutir os efeitos do ambiente digital sobre o comportamento, a saúde mental e o desenvolvimento de estudantes.
A formação foi conduzida pela psicóloga Thaís Batista, que utilizou situações do cotidiano para mostrar como o uso intenso de celulares, computadores e jogos pode interferir no rendimento escolar, no sono e na convivência social.
Um dos exemplos apresentados foi o de uma criança fictícia que passa boa parte da noite jogando no computador, demonstra pouco interesse pelas atividades escolares, dorme em sala e mantém conversas quase exclusivamente relacionadas a jogos.
Segundo os dados apresentados durante a formação, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos eram usuários recentes da internet no ano passado. Desse total, 70% jogaram online e 33% afirmaram jogar mais de uma vez por dia.
Mais do que o tempo diante das telas
A discussão destacou que a análise do comportamento digital não deve considerar apenas quantas horas crianças e adolescentes permanecem conectados.
Entre os fatores que precisam ser observados estão o tipo de conteúdo acessado, o contexto em que a tecnologia é utilizada, a forma de interação e os impactos provocados na rotina.
A psicóloga explicou que o ambiente digital oferece elementos que podem ser especialmente atraentes para crianças e adolescentes, como sensação de pertencimento, reconhecimento, diversão, amizade, identidade e aprovação.
Ao mesmo tempo, esse público ainda está em processo de desenvolvimento de habilidades como controle de impulsos, capacidade de avaliar consequências, autonomia e pensamento crítico.
Saúde mental e cyberbullying
A formação também abordou a relação entre o uso excessivo das redes sociais e problemas emocionais.
Entre os fatores discutidos estão a comparação social, a busca por curtidas e seguidores, a pressão por padrões de beleza e o medo de ficar de fora de acontecimentos, conhecido pela sigla FOMO.
Esse ambiente pode estimular exposição excessiva da intimidade, julgamentos, comentários ofensivos e situações de cyberbullying.
Outro ponto debatido foi o funcionamento dos algoritmos das redes sociais, que utilizam dados de navegação para selecionar conteúdos com maior possibilidade de manter o usuário conectado por mais tempo.
Desenvolvimento infantil também preocupa
Os profissionais discutiram ainda os efeitos do uso excessivo de telas sobre o desenvolvimento das crianças.
A redução do tempo destinado a brincadeiras, atividades físicas, contato com outras pessoas, exploração do ambiente e sono adequado pode provocar dificuldades de atenção, problemas de autorregulação e menos oportunidades para o desenvolvimento da linguagem e de habilidades sociais.
A formação também tratou das mudanças na legislação e das responsabilidades das equipes psicossociais e das escolas diante de situações de violência digital.
Segundo Thaís Batista, o papel da equipe não é investigar os casos, mas acolher, proteger, avaliar necessidades, evitar a revitimização e articular o atendimento com os órgãos responsáveis pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
A orientação é que a escola reúna apenas as informações necessárias para proteger o estudante e encaminhe aos órgãos competentes as situações que exigirem investigação.