Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h23m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Novo desenho do abono salarial pode ajudar na saída do Bolsa Família, diz secretário

FolhaPress 19/09/2024 19:43

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O abono salarial do PIS pode se tornar um complemento de renda para quem está no caminho de saída do programa Bolsa Família no novo desenho dessa política pública. Essa é uma das propostas em estudo pela equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Hoje, os participantes do Bolsa Família são protegidos pela chamada "regra de permanência". De acordo com o mecanismo, uma família que passa a ter renda por pessoa superior aos limites estabelecidos no programa pode continuar recebendo o benefício por até dois anos, desde que a renda não ultrapasse meio salário mínimo e que seja feita a atualização, de forma voluntária, das informações no Cadastro Único.

À reportagem, Sergio Firpo, secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Ministério do Planejamento e Orçamento, afirmou que se discute a aplicação do valor do abono salarial para famílias nessa posição com renda na faixa entre meio e um salário mínimo (R$ 1.412).

Segundo ele, seria uma forma de reduzir a probabilidade de as famílias de baixa renda voltarem à situação de pobreza.

SESC PICASSO

"Sobretudo na hora em que se induz que esse benefício esteja vinculado a algum tipo de formalização, não só no sentido de ter carteira de trabalho assinada, mas dos trabalhadores que, mesmo autônomos, contribuem com o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] como MEIs [microempresários individuais]", afirma.

O abono é uma espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira assinada que ganham, em média, até dois salários mínimos (o equivalente hoje a R$ 2.824 mensais). Por ano, o benefício custa cerca de R$ 30 bilhões ao governo federal.

"Se você pensa em vincular a concessão do abono a regras relacionadas à renda familiar per capita, você naturalmente já reduz esse gasto anual", diz Firpo, sem citar cifras.

O secretário enfatiza que as conversas de revisão estrutural de gastos estão restritas aos membros da equipe econômica e que ainda será analisada a viabilidade política de avanço das medidas.

"Se a gente conseguir redesenhar algumas políticas públicas, reduzindo o custo fiscal para a sociedade como um todo, fazendo com que elas sejam mais igualitárias, reduzam a desigualdade de maneira efetiva e aumentem a produtividade, seria ótimo", afirma.

CONTADOR - BONUS

Após o envio ao Congresso do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2025, a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) orientou Firpo a expor publicamente as principais propostas de redução de despesas que estavam em estudo na pasta para dar sustentabilidade ao arcabouço fiscal (a nova regra fiscal) a partir de 2026.

Mas as propostas seguem tendo resistência política no governo e no PT. O desconforto parte também de ministros das pastas responsáveis pelas políticas públicas que estão passando pelo crivo das mudanças, como Trabalho e Previdência.

Até agora, as discussões não foram levadas para as chamadas áreas-fins das políticas que podem ser reformuladas, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem.

O Planejamento fará uma pausa estratégica nos próximos dias para definir com mais precisão as propostas que serão apresentadas publicamente e com mais chances de serem aprovadas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Firpo nega que tenha havido qualquer tentativa de silenciamento do processo em razão das resistências políticas ou que tenha recebido reclamação de ministros de outras pastas.

Na última semana, o secretário detalhou medidas para reformar o BPC (Benefício de Prestação Continuada) para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, seguro-desemprego e aposentadoria por invalidez, além do abono salarial.

No caso do BPC, a ideia em estudo no Planejamento é redesenhar o benefício e mudar a idade mínima de acesso ao benefício, hoje em 65 anos.

A proposta em estudo por Firpo recebeu críticas diretas da presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR). "O BPC é uma das mais importantes políticas sociais do país. Garante renda para milhões de idosos e pessoas com deficiência. A ideia de desvincular seu valor do mínimo e aumentar a idade mínima para 70, defendida na mídia por um secretário do Ministério do Planejamento (....) significa um tremendo retrocesso, uma verdadeira covardia", escreveu Hoffmann nas suas redes sociais.

"Não é esse o tipo de reforma que o Brasil precisa. Nem foi para isso que elegemos Lula", escreveu a presidente do PT.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas