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Economia

Nova jornada pode mudar rotina de trabalhadores

Mais descanso, tempo com a família e qualidade de vida impulsionam apoio de trabalhadores à mudança na escala semanal

Vitória News 01/05/2026 08:41
Nova jornada pode mudar rotina de trabalhadores
Foto: Letycia Bond/ABr

Mais tempo com a família, descanso e até a possibilidade de pequenas viagens. Esses são alguns dos planos de trabalhadores que hoje enfrentam jornadas de seis dias de trabalho para apenas um de folga e que veem no possível fim da escala 6x1 uma mudança direta na qualidade de vida.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O tema ganhou força nas mobilizações do 1º de Maio e está no centro de propostas em análise no Congresso Nacional que discutem a redução da jornada semanal.

A balconista de medicamentos Darlen da Silva, de 38 anos, trabalha em uma farmácia no Rio de Janeiro e relata que a rotina atual impede qualquer descanso real.

“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”

Com 15 anos de carteira assinada nesse regime, ela afirma que a carga pesa ainda mais para mulheres.

“Uma folga só é puxado para qualquer trabalhador. Ainda mais para gente que é mãe, mulher. Fica mais complicado ainda, entendeu? Tem muito mais coisa a fazer.”

SESC PICASSO

Entre colegas, a expectativa por mudança é constante.

“Todo mundo tá esperando sair essa regra nova aí”.

Se a nova jornada for aprovada, Darlen já tem planos definidos.

“Eu ia tirar um dia para mim, para poder resolver tudo, né? O que tem que fazer de casa. E o outro eu ia tentar descansar, fazer alguma coisa, um passeio, porque a gente não tem tempo. Você tem que optar, ou você larga tudo de lado e vai tentar viver a vida ou você cuida.”

Ela, no entanto, faz uma ressalva sobre possíveis adaptações no mercado.

“Meus colegas estão trabalhando 11 horas por dia para poder entrar nesse esquema de cinco por dois. Entendeu? Então, acaba que não compensa. Para mim, não compensa. Se você trabalhar 11 horas cinco dias na semana, você vai ficar mais cansado ainda”.

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Também no Rio de Janeiro, o garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, trabalha há uma década nesse modelo e afirma que o dia de folga raramente é usado para descanso.

“A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso. Sempre tem que fazer as coisas de casa.”

Para ele, um segundo dia livre mudaria completamente a dinâmica familiar.

“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”

Em São Luís, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, afirma que, mesmo sem acompanhar o debate político, vê a proposta como necessária.

“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”

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Ela destaca o impacto direto na convivência familiar.

“Faria tudo que desse. Ficaria mais com minha família.”

A professora Karine Fernandes, de 36 anos, também avalia que a discussão vai além da jornada de trabalho.

“Acredito ser uma discussão importante, que afeta significativamente a qualidade de vida de muitos trabalhadores.”

Segundo ela, os efeitos atingem também o ambiente familiar.

“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”

O fim da escala 6x1 está entre as principais propostas da agenda trabalhista em debate no Congresso. Entre as alternativas em análise estão mudanças na jornada semanal, com redução de horas e ampliação dos dias de descanso, em modelos que ainda serão definidos pelos parlamentares.

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