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No RN, crise fiscal do governo atual vira munição para Allyson e pressiona Cadu de Lula

Estadão Conteúdo 18/09/2026 11:17

A dificuldade do governo Fátima Bezerra (PT) para realizar repasses constitucionais às prefeituras entrou na campanha pelo governo do Rio Grande do Norte e ampliou a pressão sobre Cadu Xavier (PT), que disputa a eleição como Cadu de Lula. Ex-secretário estadual da Fazenda e candidato apoiado pela governadora, Cadu passou a responder eleitoralmente pelo quadro fiscal de uma gestão da qual fez parte por sete anos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O tema passou a ser explorado por Allyson Bezerra (União Brasil), líder da disputa. No debate promovido pelo Sistema Tribuna na terça-feira, 15, Allyson afirmou que o governo comete "crime de responsabilidade" ao reter recursos devidos aos municípios. A campanha transformou o ataque em conteúdo para as redes sociais e publicou ao menos dois vídeos sobre o assunto.

Em uma das peças, Allyson acusa a gestão estadual de não respeitar os municípios e promete regularizar as transferências caso seja eleito. Em outra, classifica a situação do Estado como um "verdadeiro desmantelo" e volta a citar os repasses devidos às prefeituras.

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Em entrevista ao programa Dê o Play, da Jovem Pan Natal, na quarta-feira, 16, Fátima reconheceu dificuldades no fluxo financeiro do Estado e atribuiu o quadro à frustração das receitas. "Infelizmente, este ano vem acontecendo uma frustração de receitas. Isso tem trazido dificuldades do ponto de vista do fluxo financeiro que o Estado dispõe para fazer face às suas obrigações", afirmou.

A governadora disse, porém, que a gestão mantém os compromissos essenciais. "O que eu quero deixar muito claro é que nós estamos cumprindo com as nossas obrigações básicas."

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A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) estima que, mesmo após o pagamento anunciado pelo governo, ainda restariam cerca de R$ 185 milhões em transferências pendentes. A entidade informou que levará o caso aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN).

O governo anunciou para quarta-feira o repasse de aproximadamente R$ 137 milhões e afirmou que o pagamento encerraria as pendências relacionadas ao ICMS e ao Fundeb. A Femurn contestou a versão e disse que o montante se referia a obrigações acumuladas, sem contemplar integralmente os valores que venceram posteriormente.

A pressão sobre o caixa estadual já havia levado Fátima a restringir despesas com diárias e passagens, nomeações e novos contratos, além de determinar uma redução de 25% nos gastos de custeio até o fim do ano. Segundo relatório oficial, a receita ficou R$ 722,1 milhões abaixo da meta no primeiro semestre. Desse total, R$ 509,7 milhões correspondem à frustração das receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

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Fátima aposta em Cadu no segundo turno

Apesar do desgaste fiscal, Fátima afirmou, na mesma entrevista, que continua acreditando na presença de Cadu no segundo turno. Segundo ela, a transferência do voto dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o candidato petista deve crescer até a eleição.

Pesquisa Exatus divulgada na quinta-feira, 17, mostrou Allyson com 43,33% das intenções de voto, seguido por Cadu, com 21,07%, e Álvaro Dias, com 20,27%. Cadu e Álvaro estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de 2,53 pontos porcentuais para mais ou para menos.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 14 e 16 de setembro, tem nível de confiança de 95% e foi registrado sob os números RN-03910/2026 e BR-06311/2026. A pesquisa foi contratada pelo Grupo Agora RN.

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