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Economia

Ministro da Agricultura diz que governo 'não tem compromisso com o erro' em leilão do arroz

FolhaPress 12/06/2024 17:34

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ministro Carlos Fávaro (Agricultura) afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo cancelou o leilão de importação por não ter "compromisso com o erro" e disse que um outro certame será realizado por meio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Fávaro disse que não há "caça às bruxas" ou "julgamento precipitado" na demissão do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, após o episódio. Segundo ele, trata-se de "tolerância zero com o erro".

"Nós fomos surpreendidos, com as notícias pela imprensa, de uma tendência de informação privilegiada ao ter, no secretário de Política Agrícola, um vínculo familiar entre o presidente da Bolsa de mercadorias do Mato Grosso além de corretora. Ora, não temos compromisso com o erro, infelizmente", afirmou Fávaro após participar de painel no FII Priority Summit, encontro organizado pelo principal fundo da Arábia Saudita, realizado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

O governo federal decidiu anular o leilão de importação de arroz feito neste mês, após indícios de falta de capacidade técnica e irregularidades.

Em entrevista à BandNews TV, nesta quarta, Geller negou ter pedido demissão do cargo e disse que não será "bode expiatório" do leilão de arroz. Ao rejeitar qualquer suspeita de irregularidade no processo, o ex-secretário afirmou que não permitirá que seja jogada no "lixo" a sua experiência de 30 anos junto ao setor agropecuário.

SESC PICASSO

Reportagem do site especializado The Agribiz mostrou que a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos, que foram criadas no ano passado pelo ex-assessor do então deputado federal Neri Geller Robson Luiz de Almeida França, intermediaram a venda de quase metade do arroz importado que foi vendido no leilão da Conab.

O filho de Neri Geller, Marcelo Piccini Geller, é sócio em outro empreendimento de Robson Luiz de Almeida França.

No evento desta quarta, Fávaro minimizou a possibilidade de instalação de uma CPI no Congresso em razão do caso. Segundo ele, o governo não gastou dinheiro público no leilão.

"CPI é um processo natural do Congresso. Prerrogativa da minoria. Não há o que temer. Só não podemos fazer de algo tão importante, que é alimentação, se torne motivo de palanque político. Não houve R$ 1 de dinheiro gasto", afirmou.

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O ministro afirmou ver "posicionamento ideológico" da indústria por não ter realizado, ela própria, a importação de arroz para garantir o abastecimento em caso de impacto causado pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

"Fica muito claro que há um posicionamento ideológico por parte da industria em não querer colaborar com o bom abastecimento de arroz para a população brasileira. Antes da tragédia no Rio Grande do Sul, já temos reportada 72 mil toneladas de arroz da Tailândia ainda assim pagando imposto de 12%, pela iniciativa privada. Se o governo facilitou essa importação, tirando o imposto, não seria mais fácil e equilibrado a própria indústria importar um pouco mais, acelerar o processo, manter um bom abastecimento e garantir estabilidade. Fizeram isso no governo passado", afirmou ele.

"Por que ninguém tomou uma atitude de importar um pouquinho, se tivesse com dificuldade logística, para sair com o arroz do Rio Grande do Sul nesse momento, ao invés de sobrepreço? Por que a indústria não importou? Por que não cumpriu seu papel de garantir o abastecimento tranquilo e seguro?"

O ministro afirmou que a Conab vai assumir a organização do certame a ser realizado, em vez de repetir o modelo do leilão por meio de Bolsas de mercadorias e cereais.

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"A prerrogativa dada no edital que a Bolsa cadastre os possíveis interessados causa ao governo e ao mercado uma surpresa de saber quem operou só depois de o leilão acontecer. A Conab vai trazer para si esse cadastro, a habilitação dos 'players', para que a gente possa ter um leilão mais eficiente com mais efetividade para chegar e cumprir o papel de não deixar faltar arroz para a população brasileira com preço equilibrado", disse ele.

O ministro criticou o que considera um movimento especulativo no preço do grão.

"Governo não tem compromisso com o erro. É fato que estamos diante de um momento excepcional. Reconhecemos que a safra brasileira é mais ou menos suficiente com a demanda brasileira. Portanto não faz sentido nenhum, ao final da safra, no momento que os estoques estão postos, ter aumento de preços exacerbados como tivemos, logo após a tragédia. 30%, 40%", afirmou ele.

"Há evidentemente um movimento especulativo, de ganhar dinheiro com a tragédia. Um movimento de desestabilização da economia, da população. O governo tem que, com cautela, com responsabilidade, responder à altura da população como vai fazer."

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