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Economia

Ministra da Pesca vende o peixe da Noruega no Brasil

FolhaPress 27/10/2025 12:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos mais antigos parceiros comerciais do Brasil, a Noruega quer fazer da assinatura do acordo entre Mercosul e EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) a plataforma para desafiar o reinado chileno no salmão.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na importação de pescado do país, quase 48% vêm do Chile, principalmente o salmão.

"Temos um marco para a cooperação no setor pesqueiro mais promissor do que nunca. É um acordo que pode beneficiar o salmão norueguês", afirma Marianne Sivertsen Naess, ministra da Pesca e Política Oceânica da Noruega.

Ela esteve em São Paulo na última semana para promover os produtos noruegueses, reforçar a cooperação entre os dois países e falar sobre política sustentável na pesca. Sivertsen esteve na Seafood Show, feira realizada no Anhembi.

A ideia é aumentar a competição em relação aos chilenos e chineses. O mercado brasileiro representa 90% de tudo o que a Noruega vende de frutos do mar para o Mercosul. A maior parte é bacalhau seco e salgado.

É o mesmo produto que iniciou a relação comercial entre as duas nações, com a chegada do veleiro Estrela do Norte no Rio de Janeiro em 1842.

SESC PICASSO

Com o acordo de livre comércio Mercosul-EFTA, a Noruega quer vender também salmão fresco, filés congelados e saithe (um tipo de bacalhau) salgado inteiro.

"Achamos que o salmão será o próximo [a ter a venda incrementada]. E sabemos produzi-los de maneira muito sustentável e isso vai ser bom para os dois países", disse Sivertsen.

O Brasil produziu 1,35 milhão de toneladas de pescado (conjunto de todos os animais aquáticos comestíveis) no ano passado. Desse total, 478,9 mil toneladas vieram da pesca. O restante, da aquicultura. Na piscicultura, a criação de peixes em ambientes controlados, foram 968,7 mil toneladas. A maior parte (662 mil toneladas) foi de tilápias.

A importação de pescado cresceu 7,5% no ano passado. Foram cerca de 300 mil toneladas, sendo que 87% desse volume foi representado pelo salmão.

"A minha ambição é que a gente também coopere com o Brasil na questão de tecnologia, porque nós queremos a liderança também quando se trata de sustentabilidade e bem-estar dos peixes. Nós estamos realmente comprometidos com a produção sustentável de pescado", diz Sivertsen.

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A Noruega trabalha com sistema de quotas de pesca, o que a própria ministra afirma poder ser motivo de tensão entre o setor produtivo e a comunidade científica. A tarefa de manter o interesse econômico e o número que garante a preservação e expansão das espécies pode ser difícil.

A Noruega tem o segundo maior litoral do mundo, com extensão de 58.133 quilômetros, devido ao seu formato acidentado, com fiordes, baías e cerca de 150 mil ilhas. Fica atrás apenas do Canadá.

"Nós temos de ouvir os cientistas porque, se pescamos demais, haverá consequências nos anos seguintes. Então, nosso objetivo é que as pessoas possam continuar vivendo e trabalhando ao longo da costa. Há muitas vilas que são dependentes da pesca. Se nós pensarmos apenas no lado econômico, as consequências nos anos seguintes podem ser dramáticas", completa.

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Nos últimos anos, o governo do país europeu colocou a discussão dos efeitos das mudanças climáticas no centro da discussão sobre a sua política pesqueira. Estas são apoiadas nos estudos do Instituto de Pesca Marinha da Noruega. Há impostos de carbono no setor, assim como a exigência do uso de biocombustíveis nas embarcações. Todas as atividades pesqueiras que liberam CO2 são taxadas. A ambição é reduzir as emissões pela metade até 2030, em comparação com os níveis de 2005.

Marianne Sivertsen viajou ao Brasil para compartilhar essas experiências, mas também para vender o peixe norueguês. Ela vê espaço para crescer o mercado entre os dois países na cooperação tecnológica e comercial.

"Temos muito a avançar e queremos trabalhar juntos com outros países. O Brasil faz parte disso."

Além de São Paulo, ela foi a Santos, cidade do principal porto da América Latina.

"Terra do Pelé", apressou-se em acrescentar um assessor que, em seguida lembrou ser a Noruega um dos raros países jamais derrotados pelo Brasil no futebol, mesmo em Copa do Mundo.

"Não sou muito do futebol", desconversou a ministra. "Prefiro a pesca."

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