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Economia

Mania de pistache faz explodir importação do fruto, e Brasil corre para tentar cultivá-lo

FolhaPress 19/11/2024 09:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em reunião realizada em 2022, o presidente da Faec (Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará), José Amílcar de Araújo Silveira, fez uma pergunta à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Seria possível cultivar pistache no Brasil?

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A resposta deveria ser negativa. Trata-se de árvore que precisa de clima frio para dar frutos. Mas a estatal que viabiliza pesquisa e inovação para agricultura questionou de volta: por que não?

"Na teoria, é possível", afirma Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical.

Foi o início de um processo que deve ser demorado. A Embrapa busca descobrir se é possível produzir no país produto que se tornou febre na alimentação de parte dos brasileiros nos últimos dois anos. A importação do pistache mais que dobrou no ano passado e a expectativa é que o número seja maior ainda em 2024.

"É preciso entender que é um projeto de dez anos. Levantamos agora os riscos e os custos, até porque a importância do pistache, dentro do cultivo brasileiro atual, é nenhuma. Dentro da Embrapa não haveria financiamento público para esse tipo de material. Outras culturas são mais importantes. Mas, se a Federação [do Ceará] ou algum outro produtor quiser, é possível", completa.

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A Faec confirma a parceria com a Embrapa para os estudos sobre a viabilidade do cultivo, mas lembra que a parceria ainda não avançou porque não foi resolvida como seria feita a importação de material genético para testes no Brasil.

Esse processo é burocrático porque pode a importação pode trazer doenças e pragas que causariam problemas para a agricultura. A árvore do pistache pode conter nematoides, vermes que tem o potencial de se tornarem pragas para outras plantas. São organismos encontrados em outras culturas, como goiaba e café, mas é preciso ser muito controlado, segundo a Embrapa.

"É um desafio de pesquisa. É algo que atrai um cientista", completa Saavedra.

O aspecto comercial também pode atrair produtores brasileiros. Foram importadas 601 toneladas do fruto em 2023, pelos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Nos cinco anos anteriores, a média havia sido 340 toneladas. Até a metade de 2024, haviam chegado ao Brasil 400 toneladas.

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"Para 2025, as expectativas em relação ao mercado de pistache no Brasil são de continuidade no aumento das importações, impulsionado por datas comemorativas como o Natal, quando produtos como panetones e doces natalinos recheados com pistache ganham destaque", diz Leonardo Baltieri, co-CEO da Vixtra, fintech especializada em comércio exterior.

O preço do quilo, desde 2023, tem se mantido estável, entre US$ 13,5 e US$ 14 (entre aproximadamente R$ 75 e R$ 80).

Impulsionado por influenciadores sociais, o pistache ganhou status de ingrediente cult e saudável. A percepção é essa mesmo que seja em receitas calóricas, como hambúrgueres e brigadeiros.

"Pistache tem um aspecto sofisticado, tem aparência atraente. Gera muito engajamento. É um produto que o consumidor busca. Está na moda misturar várias culturas. É um efeito manada e a rede social traz isso: massifica produtos que eram muito exclusivos", analisa Karime Karam, comportamento do consumidor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Surgido nos países mediterrâneos, o pistache tem o Irã como maior produtor, mas o cultivo se expandiu para Austrália, Estados Unidos e Chile, por exemplo.

O exemplo para o Brasil pode ser a Califórnia, o estado americano que fez a adaptação da plantação mesmo sem ter temperatura baixa.

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"Há um conjunto de hormônios vegetais que você pode usar para enganar a planta com uma reação química que a faz pensar que está frio", diz Saavedra.

"Pode-se imaginar que o polo Petrolina/Juazeiro, no Nordeste brasileiro, apresente a situação para investimentos da natureza, onde já se pode contar com a tradição de cultivo de frutas, com a possibilidade de exploração da videira e, principalmente, pela água em abundância, outra séria demanda do pistacheiro", lembra o estudo "Pistache: informações econômicas como subsídios ao cultivo no Brasil", dos pesquisadores Celso Valdemiro Pommer, Wilson Barbosa e Antonio Fernando Caetano Tombolato.

Eles também consideram as regiões mais frias do Sudeste e do Sul como locais possíveis para cultivo.

Se a mania pelo fruto se sustentar por mais tempo e a importação continuar a crescer, a produção no Brasil pode se tornar ainda mais atraente para investidores.

"Neste caso, o produto deixaria de ser moda. Passaria a ser algo que as pessoas aderem à sua rotina", considera Benjamin Rosenthal, professor e especialista em consumo da FGV Eaesp (Escola da Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas).

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