Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h09m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Maioria do público é cética em relação a notícias de redes sociais e IA, diz pesquisa

FolhaPress 18/06/2025 11:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A maioria do público tem dúvidas sobre a confiabilidade de notícias que encontra tanto nas plataformas sociais quanto em respostas dadas por inteligência artificial, mostra o levantamento Digital News Report, do Instituto Reuters. São 58% os que se declaram preocupados com sua capacidade de distinguir o que é verdadeiro do que é falso ao consumir notícias na internet, proporção similar à do ano anterior.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Essas preocupações podem oferecer oportunidades para os veículos de comunicação, já que o público afirma recorrer às marcas jornalísticas ao encontrar informações confiáveis, à frente de fontes como políticos, influenciadores e contatos pessoais de confiança", diz o estudo.

Os dados constam de um levantamento anual realizado pelo instituto de pesquisa YouGov, feito a pedido do Reuters Institute, da Universidade de Oxford. A pesquisa ouviu mais de 97 mil adultos em 48 países, sendo 2.000 no Brasil no final de janeiro e início de fevereiro.

No Brasil, o consumo de podcasts e interações com robôs de inteligência artificial se equipara aos jornais impressos como as principais fontes de informação da população adulta. Jornais e podcasts informativos aparecem como fonte de notícias para 10% dos entrevistados, enquanto robôs de IA são utilizados por 9%.

SESC PICASSO

Os canais online, que reúnem sites e aplicativos de notícia, plataformas sociais com vídeo, podcasts de notícia e chatbots de IA, são citados por 78% dos entrevistados no Brasil. Trata-se de uma queda em relação a 2013, início da série histórica, quando 90% diziam buscar informação nesses meios.

Ao todo, 17% dos entrevistados pagam por notícias em sites e canais digitais, queda em relação ao ano passado, quando 19% pagavam por conteúdo feito por profissionais.

Já a TV é utilizada por 46% dos entrevistados, 29 pontos percentuais abaixo dos 75% de 2013.

As mídias sociais, enquanto isso, registraram um leve crescimento do levantamento de 2024 para cá, saindo de 51% para 54% (eram 47% há uma década).

Segundo os pesquisadores, esse mercado atrai um público mais jovem, principalmente pessoas abaixo dos 35 anos.

CONTADOR - BONUS

Nesse segmento de mídias sociais, as plataformas preferidas para consumo de informações são YouTube e Instagram (ambos com 37%), WhatsApp (36%), Facebook (28%), TikTok (18%) e o X (9%).

O fenômeno dos podcasts e chats de IA também ocorre em outros países que integram o levantamento.

Nos Estados Unidos, com o retorno de Donald Trump ao poder, o uso das mídias sociais para encontrar notícias ultrapassou a televisão pela primeira vez desde 2013. Por lá, 54% das pessoas utilizam as redes para se informar, enquanto 50% assistem a televisão e 48% acessam sites e aplicativos noticiosos.

Nos 48 países do levantamento, as audiências estão cada vez mais dependentes de plataformas com vídeo, sendo 44% desse público formado por pessoas entre 18 e 24 anos. Em países como Filipinas, Tailândia, Quênia e Índia, mais pessoas afirmaram preferir assistir notícias a lê-las.

"Em alguns países, os influenciadores estão desempenhando um papel significativo na formação dos debates públicos. Um quinto (22%) da nossa amostra dos Estados Unidos diz ter encontrado notícias ou comentários do popular podcaster Joe Rogan na semana após a posse presidencial, incluindo um número desproporcional de homens jovens, grupo que a mídia tradicional tem dificuldade em alcançar", diz a Reuters.

Anuncio - Raimundo - Bonus

CONFIANÇA EM NOTÍCIAS DE FORMA GERAL SE ESTABILIZA

A Reuters também faz um ranqueamento do quanto as pessoas acreditam nas reportagens em geral e neste ano houve um ligeiro recuo para 42%, queda de um ponto percentual na comparação com o levantamento de 2024.

"A confiança nas notícias parece ter alcançado um 'novo normal', com níveis semelhantes nos últimos três anos. Isso após a confiança cair 20 pontos percentuais entre 2015 e 2023, período caracterizado pelo crescimento da polarização política. As grandes marcas de notícias de TV tendem a atrair mais confiança do público, seguidas por jornais de referência como O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha", dizem os pesquisadores.

No levantamento global, a Reuters indica que o debate sobre moderação de conteúdo nas redes se intensifica, com o parte do público dividido entre remover ou não postagens que podem ser falsas, mas não ilegais. Consumidores mais à direita estão mais propensos a se opor à remoção de conteúdo.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas