O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (6) um novo marco nas relações comerciais internacionais ao destacar as mudanças no acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Segundo o presidente, o texto firmado agora é "bem diferente" daquele proposto em 2019, considerado por ele e sua equipe como "inaceitável". “As condições que herdamos eram inaceitáveis. Foi preciso incorporar temas de alta relevância para o Mercosul. Conseguimos preservar nossos interesses em áreas essenciais como compras governamentais e saúde, além de proteger o setor automotivo e estabelecer mecanismos para evitar a retirada unilateral de concessões”, afirmou Lula durante a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Montevidéu, Uruguai.
O acordo, que ainda precisa ser ratificado por cada país-membro, representa uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 bilhões. Entre os avanços destacados pelo governo brasileiro estão:
Além disso, o texto incorpora compromissos relacionados à sustentabilidade e ao combate às mudanças climáticas, reforçando os Acordos de Paris.
O novo acordo reflete um contexto político e econômico diferente do de 2019, marcado pela pandemia, pela crise climática e pelas tensões geopolíticas globais. Lula enfatizou a importância de fortalecer o papel do Estado como indutor do crescimento econômico, garantindo que o Brasil tenha condições de implementar políticas públicas enquanto amplia o comércio e os investimentos bilaterais. “O texto atual reconhece as credenciais ambientais do Mercosul e fomenta a integração de cadeias produtivas para avançar rumo à descarbonização da economia”, afirmou o presidente.
O governo federal ressaltou que o acordo promove a exportação de produtos sustentáveis e assegura benefícios para exportadores brasileiros, caso normas internas da UE dificultem o aproveitamento das vantagens negociadas. A União Europeia, por sua vez, oferecerá um pacote de cooperação inédito para apoiar a implementação das diretrizes acordadas.
O anúncio foi celebrado por lideranças empresariais e setores industriais, que enxergam no acordo uma oportunidade de ampliar mercados e fortalecer o fluxo de investimentos internacionais. Ao alinhar desenvolvimento econômico com sustentabilidade, o Brasil busca se posicionar de forma mais competitiva no cenário global. Com o novo acordo, o Mercosul reafirma sua relevância como bloco econômico, enquanto o Brasil consolida sua posição como protagonista em negociações internacionais. O pacto reflete um momento estratégico para o país, que busca conciliar crescimento interno com integração global.