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Justiça argentina suspende reforma trabalhista de megadecreto de Milei

FolhaPress 03/01/2024 17:10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça da Argentina suspendeu a reforma trabalhista que havia sido incluída pelo governo de Javier Milei no megadecreto com medidas de desregulamentação de vários setores da economia e que foi enviado pelo governo logo após a posse.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O texto do DNU (Decreto de Necessidade e Urgência) de Milei conta com um capítulo reservado para questões trabalhistas.

A Justiça decidiu conceder uma medida cautelar pedida pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), o primeiro "freio" imposto pelos tribunais ao DNU 70/2023, publicado por Milei em 20 de dezembro.

A CGT entrou com a liminar em 27 de dezembro, alegando a inconstitucionalidade do trecho do DNU que trata das questões trabalhistas, pedindo uma medida cautelar para evitar que ele entrasse em vigor.

O primeiro juiz a receber a denúncia se recusou a emitir a liminar, alegando que o decreto ainda não havia entrado em vigor, mas pediu que o chefe de gabinete de Milei, Nicolás Posse, respondesse à demanda dos sindicalistas. Nesse meio-tempo, a CGT acionou a Câmara Nacional do Trabalho.

Por dois votos a um, a câmara não esperou uma justificativa oficial por parte do governo para manter o DNU.

A decisão -tomada na terça-feira (2) e publicada nesta quarta (3)- é assinada pelos juízes Andrea García Vior e José Alejandro Sudera. A juíza María Dora González argumentou que o caso deveria ser transferido para o Tribunal Administrativo Federal.

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"É notório que o segmento dos trabalhadores é socialmente vulnerável e, neste caso, encontram-se em jogo direitos de natureza alimentar. Não há dúvida de que se configuram circunstâncias graves e objetivamente inadiáveis que justificam a expedição da medida cautelar", diz trecho do acórdão divulgado mais cedo pelo jornal Clarín.

Entre os argumentos que apresentados para suspender a aplicação da reforma trabalhista de Milei via DNU um dos magistrados questiona o caráter de urgência das medidas.

"Não está claro como as reformas propostas, se aplicadas imediatamente e fora do processo normal de promulgação de leis, poderiam remediar a situação referente à geração de emprego formal, especialmente quando o próprio decreto reconhece que ela está estagnada há 12 anos, o que impede, em princípio, considerar a irrupção de alguma circunstância súbita, imprevisível ou extremamente 'excepcional'."

A Casa Rosada deve recorrer da decisão, segundo a imprensa argentina.

Logo ao assumir, Milei disse que o regime trabalhista precisava de uma modernização para reduzir a burocracia e aumentar o emprego. Na prática, as medidas apresentadas pelo governo facilitam demissões e tornam esse processo menos dispendioso.

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Um dos aspectos do DNU mais questionados pela central dos trabalhadores trata do aumento do período probatório dos trabalhadores, de três para oito meses, também permite a demissão em caso de bloqueio ou do local de trabalho, algo que os críticos do projeto veem como uma restrição ao direito de greve.

O documento também reduz multas e encargos a serem pagos pelas empresas em caso de demissão do empregado.

No caso de gravidez, a gestante fica impedida de trabalhar 45 dias antes e depois do parto, mas tem a opção de reduzir em até dez dias o afastamento.

O governo também quer modificar a arrecadação sindical, com medidas como a desobrigação das empresas de reter contribuições sindicais dos empregados e exigência de autorização para desconto de contribuições.

No último dia 28, a CGT convocou uma greve geral contra o decreto de Milei. Segundo a entidade, que é historicamente ligada ao peronismo, a mobilização vai acontecer no dia 24 de janeiro e tem previsão para durar 12 horas.

No próximo dia 10, uma plenária vai decidir os detalhes da manifestação em Buenos Aires, que deve incluir uma marcha em direção ao Congresso, a partir de meio-dia, e deve testar os limites do protocolo antiprotestos da ministra de Segurança Pública de Milei, Patricia Bullrich.

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O pacote de 366 medidas de Milei tem sido alvo de críticas, por, segundo opositores, dar poderes excessivos ao governo. Além do DNU, o Executivo enviou a chamada "lei ônibus" (por transitar por diversos setores, da economia à política) com um total 664 artigos.

Em mensagem de fim de ano aos argentinos no último dia 30, Milei apelou para que a população pressione o Congresso a aprovar suas medidas de emergência, alegando que a não aprovação levaria o país a uma "catástrofe social de proporção bíblica".

Na semana passada, o deputado Pablo Yedlin (do bloco de oposição peronista União pela Pátria) disse esperar que o DNU de Milei será revogado antes da greve marcada pela CGT.

"Há uma visão clara de que o Congresso deve cumprir sua missão e esse presidente deve prestar contas ao que diz a Constituição", disse o parlamentar pela província de Tucumán à rádio AM750.

Já Dante Sica, ex-ministro de Produção e Trabalho do governo Mauricio Macri --que apoiou Milei no segundo turno, em novembro-- disse ao canal argentino TN que as medidas do novo governo vão desencorajar a "indústria experimental de trabalho" que leva à falência diversas pequenas e médias empresas, responsáveis por 70% do emprego privado.

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