Levantamento da CNI mostra que financiamentos foram usados principalmente na compra de máquinas, modernização de fábricas e ampliação da capacidade produtiva
As taxas de juros mais baixas foram o principal motivo para empresas industriais recorrerem aos Fundos Constitucionais de Financiamento entre 2022 e 2025. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 94% das indústrias que buscaram recursos nessas linhas apontaram as condições financeiras mais vantajosas como fator decisivo.
O resultado evidencia a diferença entre os fundos regionais e o crédito convencional. Em outra pesquisa da CNI, divulgada em janeiro, o custo elevado dos financiamentos apareceu como o principal obstáculo enfrentado pelas empresas para obter recursos no mercado.
Além das taxas reduzidas, 56% dos industriais destacaram os prazos maiores para pagamento e os períodos de carência. Para 24%, o relacionamento já existente com a instituição financeira responsável pela operação também influenciou a decisão.
Os Fundos Constitucionais foram criados para estimular investimentos e ampliar o acesso ao crédito nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. As linhas oferecem condições diferenciadas para empresas, produtores rurais e empreendedores que desenvolvem atividades produtivas nas áreas atendidas.
Os recursos podem financiar a compra de máquinas e equipamentos, a construção ou modernização de unidades industriais, projetos de inovação e, em determinadas operações, capital de giro.
Atualmente, existem três fundos: o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
O FNE também atende municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo que integram a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Os fundos recebem 3% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. Pela legislação, pelo menos 30% dos recursos devem ser destinados a empreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
Apesar das condições mais favoráveis, a falta de informação e a burocracia ainda limitam o alcance da política. O estudo mostra que 38,1% das empresas industriais consultadas não conheciam os Fundos Constitucionais.
Entre as indústrias que sabiam da existência das linhas, mas não solicitaram financiamento, 38,5% apontaram a burocracia ou a demora na análise dos pedidos como principal razão para desistir.
A falta de informações e a ausência de necessidade de crédito no período foram mencionadas por 28,2% das empresas que não utilizaram os fundos.
As garantias exigidas pelos bancos também foram avaliadas no levantamento. Entre as empresas que solicitaram financiamento, 56% consideraram as exigências razoáveis, enquanto 38% avaliaram que as instituições foram excessivamente rigorosas. Outros 6% classificaram os bancos como pouco exigentes.
A maior parte dos recursos foi direcionada a investimentos estruturantes. A compra de máquinas e equipamentos motivou 56% das solicitações. Outros 22% buscaram financiamento para construir, modernizar, instalar ou realizar manutenção em fábricas, plantas industriais e armazéns.
O capital de giro, utilizado para despesas como salários, fornecedores e tributos, respondeu por 18% das operações.
O levantamento também mostra que 52% das empresas conseguiram contratar exatamente o valor de que necessitavam. Outras 32% obtiveram financiamento, mas em quantia inferior à solicitada, enquanto 4% receberam valor superior ao previsto.
Apenas 10% das indústrias que tentaram acessar os fundos não conseguiram aprovar nenhuma operação. O índice ficou abaixo do registrado no crédito convencional, no qual a taxa de insucesso variou entre 19% e 32%.
Entre as empresas que receberam recursos, 88,6% avaliaram o impacto do financiamento como positivo ou muito positivo para os negócios.
A compra de máquinas e equipamentos foi apontada como principal benefício por 62,2% das indústrias. A expansão física da empresa foi mencionada por 37,8%, enquanto 29,7% relacionaram o financiamento à geração de empregos. Outros 5,4% afirmaram que os recursos contribuíram para a recuperação financeira do negócio.
Para a CNI, os resultados mostram que os Fundos Constitucionais estão sendo utilizados principalmente para elevar a produtividade, incorporar novas tecnologias e ampliar a competitividade das empresas nas regiões atendidas.
Fonte: CNI