Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h12m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Juros altos são o maior obstáculo da construção civil no 2º trimestre de 2025, aponta CNI

Vitória News 29/07/2025 10:28

A indústria da construção civil no Brasil voltou a enfrentar grandes desafios no segundo trimestre de 2025, e, mais uma vez, as altas taxas de juros despontaram como o principal obstáculo para o setor. A constatação é da Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta segunda-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Segundo a pesquisa, 37,7% dos empresários do setor apontaram os juros elevados como o maior problema enfrentado no trimestre, um aumento em relação aos 35,3% que haviam citado o mesmo fator nos primeiros três meses do ano.

Impacto direto sobre oferta e demanda

A analista de Políticas e Indústria da CNI, Isabella Bianchi, explica que os juros altos afetam tanto quem produz quanto quem consome. “Pelo lado da oferta, se o industrial da construção precisar tomar crédito para adquirir capital de giro e começar um novo projeto, por exemplo, ele vai ser impactado pela elevação do custo do crédito, reflete esse aumento na Selic. E de forma similar, ocorre do lado da demanda: para o consumidor adquirir um bem do setor da construção, ele precisa tomar crédito, o que também acaba sendo encarecido pela elevação das taxas de juros”, afirma.

Outros entraves do setor

Além dos juros altos, outros fatores seguem pressionando a cadeia produtiva da construção. A alta carga tributária, mencionada por 30,5% dos empresários, manteve-se como o segundo maior problema no trimestre — um crescimento frente aos 27,8% registrados no início do ano. Em terceiro lugar está a falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados, apontada por 24,6% dos entrevistados, ligeiramente abaixo dos 27,1% do trimestre anterior.

Mayara Serra, diretora de Desenvolvimento da Maso Engenharia e Consultoria, que atua há uma década no setor, vê o cenário com preocupação. “Os juros altos são os que mais impactam no dia a dia. Com juros altos, tudo fica mais difícil. A carga tributária e a mão de obra qualificada também exigem atenção, só que, no final das contas, é um combo que complica tudo. Mas com planejamento e equipe certa, a gente consegue ir equilibrando”, analisa.

Recuo nos preços de insumos traz alívio

Apesar das dificuldades, a desaceleração no custo de insumos e matérias-primas ajudou a amortecer os impactos financeiros no setor. O índice que mede a evolução dos preços caiu 3,7 pontos, alcançando 60,9 pontos no segundo trimestre.

“A desaceleração nos preços de insumos ajuda a garantir o planejamento da obra. Se a gente tiver uma alta muito grande desses insumos, acontece um desvio do planejamento, que faz com que a gente tenha que trabalhar para que cheguemos lá na frente sem prejuízos”, explica Mayara.

Indicadores financeiros em queda

Os dados da CNI revelam que a situação financeira das empresas da construção civil se deteriorou no segundo trimestre. O índice de satisfação com a situação financeira caiu para 45 pontos, abaixo da linha de 50 que separa satisfação de insatisfação.

Também apresentaram queda o índice de satisfação com o lucro operacional, que passou de 42,8 para 42,5 pontos, e o índice de facilidade de acesso ao crédito, que recuou de 37,4 para 35,5 pontos.

Atividade avança, mas emprego e capacidade caem

O índice de evolução do nível de atividade da construção civil em junho ficou em 48,8 pontos, um avanço frente a maio, mas ainda abaixo do registrado em junho de 2024 (49,9) e 2023 (49,9).

O índice de evolução do número de empregados caiu para 48,3 pontos, refletindo retração na geração de empregos em comparação ao mesmo mês dos anos anteriores. Já a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) recuou 1 ponto percentual, passando de 67% para 66%, inferior aos níveis de junho de 2024 (68%) e 2023 (67%).

Confiança e intenção de investimentos também recuam

A desconfiança também cresceu entre os empresários da construção. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu para 47,1 pontos em julho de 2025, sinalizando intensificação do pessimismo. A intenção de investimento também recuou, passando de 42,8 para 40,4 pontos — apesar de ainda estar 2,3 pontos acima da média histórica.

“Essa avaliação de condições atuais piores do que a dos últimos seis meses é percebida tanto para as próprias empresas quanto para a economia brasileira”, comenta Isabella Bianchi.

Expectativas para o segundo semestre permanecem positivas

Mesmo diante de um cenário desafiador, as expectativas dos empresários seguem positivas. O índice de expectativa de número de empregados subiu 1,9 ponto, alcançando 52,9 pontos. O de compras de insumos e matérias-primas avançou para 52,2 pontos.

Já o índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços teve leve queda, ficando em 50,5 pontos, enquanto o de nível de atividade se manteve em 53,1 pontos — todos acima da linha de 50, indicando otimismo moderado.

Mayara Serra confirma a perspectiva: “Às vezes, me sinto insatisfeita com todo o cenário do mercado. Mas vejo melhora, principalmente por conta da queda dos preços do insumo. Isso faz a diferença no caixa de qualquer construtora e acaba ajudando a garantir que o orçamento não saia do planejado. Então, temos desafios. Mas essa desaceleração dos preços da matéria-prima permite que a gente organize melhor as contas. Isso dá mais fôlego e confiança. A gente consegue manter os projetos, pensar em novas vendas e novos projetos”.

Amostra

A edição mais recente da Sondagem Indústria da Construção consultou 305 empresas entre os dias 1º e 10 de julho de 2025. Do total, 118 eram pequenas, 123 médias e 64 grandes empresas.

Fonte: Br61
Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus Senac 16 de julho — Capa (rail) SESC PICASSO CONTADOR - BONUS

Notícias Relacionadas