Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h56m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

J&F e Paper oficializam fim da guerra pela Eldorado por US$ 2,6 bilhões

FolhaPress 15/05/2025 15:35

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um comunicado conjunto de J&F, da família Batista, e Paper Excellence, do empresário indonésio Jackson Wijaya, divulgado na tarde desta quinta-feira (15), oficializou o fim da disputa pela Eldorado Celulose.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo o texto conjunto, a J&F fez a recompra da companhia pelo valor de US$ 2,640 bilhões (R$ 15 bilhões), pagando à vista.

Os documentos foram assinados no banco BTG Pactual pelos respectivos times de cada empresa. Em salas separadas, do alto comando de cada parte, estavam, Claudio Cotrim, presidente da Paper no Brasil, e Aguinaldo Filho, presidente da J&F e presidente do conselho administrativo da Eldorado, que é sobrinho de Joesley e Wesley Batista.

A pilha com centenas de documentos para zerar o litígio era tão extensa que demandou seis horas de assinaturas, segundo a reportagem apurou.

O BTG atua pela Paper desde o início do negócio. Primeiro, trabalhou na transação de compra, quando começou a ser discutida em 2017. Com o litígio, se afastou. No entanto, segundo a reportagem apurou, em meados do ano passado, o banco entrou para auxiliar na negociação que buscava pôr fim ao impasse.

SESC PICASSO

Houve envolvimento pessoal do banqueiro André Esteves, por ter boa relação tanto com Joesley Batista, do lado da J&F, quanto com Wijaya, da Paper.

Especialistas do mercado dizem que, considerando os indicadores da Eldorado, o montante da transação que encerra a briga equivale a um múltiplo de dez vezes o Ebitda (sigla em inglês para Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, um indicador que mede a geração de caixa).

O comunicado, enxuto, confirma o fim das pendências.

"A transação atende plenamente aos interesses de ambas as partes e põe fim, de forma plena e definitiva, a todos os processos judiciais e arbitrais em curso", destaca a nota.

CONTADOR - BONUS

"A J&F demonstra, com esse investimento, a sua confiança no Brasil e na Eldorado. A Paper Excellence seguirá explorando oportunidades no setor de celulose e papel."

A Eldorado foi fundada em 2010 pela J&F e produz celulose para fabricação de papéis para embalagens, higiene pessoal e outros usos. Tem sede administrativa em São Paulo e fábrica em Três Lagoas (MS), inaugurada em 2012, sendo que as florestas de eucalipto e áreas de preservação da empresa ficam no entorno.

A companhia tem também um terminal próprio em Santos e escritórios comerciais nos Estados Unidos, na Áustria e na China.

A venda da empresa foi fechada em setembro de 2017. O negócio foi anunciado, na época, por R$ 15 bilhões, incluindo dívidas.

Na primeira fase, o braço brasileiro do conglomerado de Jackson Wijaya comprou 49,41% das ações da Eldorado e pagou R$ 3,9 bilhões, cerca de US$ 1,24 bilhão na época. O restante foi depositado numa conta judicial para ser utilizado ao final da transação, que nunca ocorreu.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Um ano depois, a transação começava a saga judicial, sem que as partes se entendessem sobre a transferência da parcela restante.

Segundo a reportagem apurou com pessoas envolvidas na transação, uma das razões para as partes encerrarem a briga foi o impacto sobre a Eldorado. Empresas envolvidas em litígios de seus acionistas são penalizadas por falta de investimento e morosidade na tomada de decisões.

Enquanto os Batista e Wijaya não se acertavam, concorrentes como Suzano, Arauco e Bracell avançavam.

Em 2024, a Eldorado vendeu 1,8 milhão de toneladas de celulose e obteve receita líquida de R$ 6,4 bilhões, alta de 10,7% em relação a 2023 (o faturamento vem principalmente do mercado externo, com R$ 5,4 bilhões no ano passado). O lucro bruto foi de R$ 3,6 bilhões em 2024.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas