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Ipea: energia, gás e saúde pesam no bolso, mas alimento alivia inflação da baixa renda em 2025

Estadão Conteúdo 23/01/2026 15:55

Os preços de alimentos importantes na cesta de consumo deram trégua em 2025, como o arroz e o feijão, descomprimindo assim a inflação percebida pelas famílias de renda mais baixa. Porém, houve pressão dos aumentos nos custos da conta de luz, gás de botijão e despesas com saúde e cuidados pessoais, ressaltou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que a inflação arrefeceu de um aumento de 4,91% em 2024 para uma alta de 3,81% em 2025 para o segmento familiar de renda muito baixa.

Para o grupo de renda alta, a inflação acelerou de uma elevação de 4,43% em 2024 para aumento de 4,72% em 2025.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado pelo Ipea para fazer o cálculo da inflação por faixa de renda, arrefeceu de uma elevação de 4,83% em 2024 para alta de 4,26% em 2025.

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"O resultado consolidado de 2025 indica que, à exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes apresentaram queda da inflação em relação a 2024", apontou Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, no relatório do indicador.

O indicador do Ipea separa por seis faixas de renda familiar as variações de preços medidas pelo IPCA. Os grupos vão desde uma renda familiar menor que R$ 2.202,02 por mês, no caso da faixa com renda muito baixa, até uma renda mensal familiar acima de R$ 22.020,22, no caso da renda mais alta.

Em 2025, quanto mais baixa a faixa de renda, mais branda a inflação acumulada no ano. O movimento é oposto ao registrado em 2024, quando as famílias mais vulneráveis foram mais pressionadas pelos aumentos de preços do que as mais ricas.

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"Essa descompressão inflacionária ao longo de 2025 decorreu, principalmente, da melhora no comportamento dos preços dos alimentos no domicílio, cuja variação acumulada no ano recuou de 8,2% em 2024 para 1,4% em 2025", justificou Lameiras.

A técnica lembra que houve contribuição também para o alívio, embora em menor magnitude, da desaceleração dos preços dos produtos eletroeletrônicos, de -0,8% em 2024 para -5,1% em 2025, e da gasolina, de 9,7% para 1,9%.

Já os principais vetores inflacionários no ano passado, especialmente para as faixas de renda baixa e média, foram os grupos habitação e saúde e cuidados pessoais.

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"No grupo habitação, os impactos estiveram associados, sobretudo, aos reajustes do gás de botijão (2,5%) e da energia elétrica (12,3%). Já no grupo saúde e cuidados pessoais, destacaram-se os aumentos de preços dos produtos farmacêuticos (5,4%), itens de higiene (4,2%), serviços de saúde (7,7%) e planos de saúde (6,4%). Para as famílias de renda mais elevada, os grupos transportes, despesas pessoais e educação também exerceram influência relevante, refletindo os reajustes no transporte por aplicativo (56,1%), combustíveis (2,3%), serviços de recreação (6,7%) e mensalidades escolares (6,5%)", enumerou a técnica do Ipea.

Na passagem de novembro para dezembro de 2025, a inflação acelerou de um aumento de 0,01% para uma alta de 0,14% para o segmento familiar de renda muito baixa.

Para o grupo de renda alta, a inflação saiu de uma elevação de 0,45% em novembro para aumento de 0,51% em dezembro. O IPCA do período passou de avanço de 0,18% em novembro para elevação de 0,33% em dezembro.

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