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IPCA-15 mantém taxas curtas em queda, mas longas sobem com petróleo e leilão

Estadão Conteúdo 25/06/2026 18:16

Os juros futuros fecharam sem direção única, com queda nos vencimentos curtos e viés de alta na ponta longa. Pela manhã, prevalecia o sinal de baixa em toda a curva, ainda amparado pela reação ao IPCA-15 de junho e pela leitura do Relatório de Política Monetária (RPM) que reforçou a expectativa de novas quedas da Selic. Mas o alívio perdeu força ao longo da tarde, refletindo a aceleração dos ganhos do petróleo e ajustes técnicos relacionados ao leilão de prefixados do Tesouro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,128% na quarta no ajuste para 14,090%. O DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,250%, de 14,320% na quarta no ajuste. A do DI para janeiro de 2029 passou de 14,378% para 14,330% e a do DI para janeiro de 2031 subiu de 14,362% para 14,390%.

Após três sessões seguidas com taxas em baixa, o mercado ainda encontrou fôlego para seguir devolvendo prêmios pela manhã, na esteira do IPCA-15 de junho, cuja alta de 0,41% veio abaixo da mediana das estimativas (0,44%) coletadas pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Houve também bom comportamento dos preços de abertura.

Na segunda etapa, as taxas longas zeraram a queda, na medida em que os preços do petróleo passaram a subir mais de 2%, com a tensão no Oriente Médio voltando a piorar. Segundo o The Wall Street Journal, o Irã atacou um navio de carga no Estreito de Ormuz, informação que reduziu o otimismo em relação ao cumprimento das condições do memorando de entendimento assinado na semana passada junto com os EUA que pode viabilizar o fim da guerra.

SESC PICASSO

Além da questão externa, o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, afirma que também pesaram sobre o mercado operações relacionadas ao leilão do Tesouro. "Parece que o mercado não conseguiu absorver muito bem", disse, destacando que os volumes de prefixados voltaram aos níveis pré-guerra. "Não foram lotes tão grandes, mas maiores do que o Tesouro vinha conseguindo colocar." Foram vendidas integralmente as 19 milhões e as 4 milhões de NTN-F ofertadas.

De todo modo, o alívio do IPCA-15 somado à avaliação do RPM e às entrevistas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, reforçaram as apostas de corte da Selic em agosto. Na pesquisa realizada pelo Projeções Broadcast após a divulgação do RPM, a expectativa de corte de 0,25 ponto no Copom de agosto é majoritária, apontada por 17 entre 29 casas consultadas, enquanto 12 esperam uma pausa no ciclo de calibragem.

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As trajetórias de juros avaliadas pelo Copom foram tema de discussões intensas no mercado nos últimos dias. Galípolo explicou que estas levam em conta diferentes opções de pausa e retomada dos cortes - o chamado "stop-and-go", no qual uma parada não significa fim do ciclo, ratificando a leitura do mercado feita após o comunicado. "Eram cenários que simulavam alternativas de quando pausar e quando seria possível retornar esse ciclo de calibragem para produzir a convergência", disse o presidente do BC.

Na Manchester Investimentos, o especialista em renda fixa Eduardo Amorim não vê o alívio recente da curva como sintoma de uma "normalização definitiva do cenário", dada a comunicação do Copom lida como ainda falha e um cenário externo ainda pouco favorável, com destaque para o risco de persistência dos juros americanos em patamar elevado, o que mantém as taxas dos Treasuries pressionadas e limita o apetite por risco em mercados emergentes. "Esse pano de fundo tende a sustentar o dólar e reduz o espaço para fechamento mais forte dos juros no Brasil", afirma.

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