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Inflação abaixo do teto reforça expectativa por queda de juros no início de 2026

FolhaPress 10/12/2025 17:05

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A volta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para um patamar inferior ao teto da meta de inflação ajuda o BC (Banco Central) na condução da política monetária e reforça a expectativa de início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, no primeiro trimestre de 2026, segundo economistas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na manhã desta quarta (10), o IBGE informou que a alta dos preços medida pelo IPCA desacelerou a 4,46% no acumulado de 12 meses até novembro.

Com o resultado, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação pela primeira vez desde setembro de 2024. No recorte mensal, o IPCA subiu 0,18%, a menor variação para novembro desde 2018.

A divulgação dos números ocorre no mesmo dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC faz sua última reunião em 2025 para definir o patamar da Selic, atualmente em 15% ao ano.

Economistas entendem que a instituição ainda vai esperar para cortar a taxa de juros, mas avaliam que a perda de ritmo do IPCA pavimenta o caminho para a redução no início de 2026.

SESC PICASSO

A dúvida é se o primeiro corte virá na reunião do Copom no final de janeiro ou no encontro de meados de março, e qual o tamanho dele.

"Há um cenário em construção para uma Selic que pode começar a cair em janeiro sem trazer apreensão para o mercado", afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, em uma referência ao contexto de perda de força do IPCA.

Segundo ele, a inflação mostra trajetória de baixa devido a pelo menos três questões: a trégua do dólar, a redução dos preços dos alimentos com a supersafra e a própria política de juros do BC.

Para Vale, o primeiro corte na taxa Selic deve ser de 0,5 ponto percentual ou menor, de 0,25 ponto percentual. O economista projeta Selic de 13% ao final de 2026.

Ele avalia que ainda há desafios no horizonte do BC. O câmbio e os alimentos, por exemplo, não devem ajudar tanto em 2026, prevê Vale.

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Conforme o economista, o IPCA tende a ficar abaixo do teto de 4,5% ao longo do próximo ano, mas só deve atingir o centro da meta de 3% em 2027.

Em novembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a instituição deveria perseguir o alvo de 3%, e não o limite superior de 4,5%.

Com a trégua do IPCA em 12 meses, integrantes do governo Lula (PT) e empresários reforçaram as cobranças por redução dos juros nas últimas semanas.

Ao levar a Selic para 15%, o BC buscou esfriar a demanda por bens e serviços, já que o crédito fica mais caro. Isso tende a reduzir a pressão sobre parte dos preços.

O efeito colateral é a desaceleração da economia, que já apareceu no PIB (Produto Interno Bruto) e que pode causar incômodo para o governo antes das eleições de 2026.

Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados), afirma que o país precisa de uma taxa de juros "mais civilizada" que estimule os investimentos. Para ele, haveria espaço para corte na Selic já na reunião desta quarta.

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"Todos os dados apontam para uma inflação com menor pressão sobre os orçamentos das famílias e com a expectativa de que o ciclo de arrocho monetário já se encerre nos próximos meses", diz.

Em 2025, o BC passou a perseguir a meta de maneira contínua, abandonando o ano-calendário de janeiro a dezembro.

No novo modelo, o objetivo é considerado descumprido quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

O IPCA estourou a meta contínua pela primeira vez em junho.

O economista Leonardo Costa, do conglomerado financeiro Asa, manteve a previsão de primeiro corte da Selic de 0,5 ponto percentual em março.

Ele, contudo, vê agora possibilidade de o BC considerar uma redução de 0,25 ponto percentual já em janeiro, caso os próximos indicadores confirmem a "trajetória benigna observada recentemente".

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