Em discurso durante celebração ao Dia da Indústria, Ricardo Alban destacou importância da reindustrialização e pediu cautela ao Legislativo sobre temas estratégicos
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou, em evento pelo Dia da Indústria, que o setor industrial precisa reassumir papel de protagonista para impulsionar o crescimento econômico sustentável e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. “A indústria tem de voltar a ser protagonista para o Brasil seguir a passos largos rumo ao crescimento econômico e à melhora da qualidade de vida dos brasileiros, com geração de emprego e renda”, disse Alban em evento realizado na sede da entidade, em Brasília. O líder da CNI também expressou preocupação com pautas importantes que estão atualmente sendo discutidas no Legislativo, como o marco do licenciamento ambiental, a Medida Provisória de modernização do setor elétrico e projetos relacionados à redução da jornada de trabalho. “Esses projetos exigem cautela, bom senso, equilíbrio e, principalmente, discernimento para colocarmos em primeiro lugar o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, afirmou Alban. Destaques econômicos Durante sua fala, o presidente da CNI reforçou que a indústria brasileira é fundamental para inovação tecnológica, geração de empregos qualificados e desenvolvimento socioeconômico. Ricardo Alban lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,4% em 2024, impulsionado principalmente pela indústria de transformação e construção civil, que tiveram altas de 3,8% e 4,3%, respectivamente. No entanto, para 2025, Alban demonstrou preocupação com as perspectivas de crescimento menor da economia. “Não podemos nos conformar com isso. O processo de reindustrialização deve ser contínuo e planejado com um cenário de longo prazo”, alertou. Entre os desafios imediatos apontados por Alban, estão o controle de gastos públicos e a redução da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano. “Temos que encarar de frente a questão dos gastos públicos, da insegurança jurídica. Precisamos abordar com responsabilidade a taxa de juros abusiva, que corrói a economia”, destacou. Comércio com China e guerra tarifária Outro alerta levantado por Ricardo Alban refere-se à relação comercial com a China, maior parceiro comercial do Brasil. Para ele, o Brasil precisa desenvolver estratégias eficientes que aumentem a presença dos produtos brasileiros de maior valor agregado no mercado chinês. “O estreitamento do comércio com esse parceiro precisa vir acompanhado de um protagonismo da nossa indústria de transformação, que hoje está em enorme desvantagem na balança comercial. Precisamos de uma estratégia consistente e arrojada”, enfatizou. Sobre as recentes tensões comerciais provocadas pelos Estados Unidos, o presidente da CNI afirmou que a entidade está atenta e atuando ativamente para mitigar os efeitos negativos das medidas protecionistas americanas. “Estamos empenhando esforços para evitar extremismos e defender a manutenção do diálogo junto a esse importante parceiro comercial”, completou. Principais pontos defendidos por Ricardo Alban: Licenciamento ambiental “A aprovação do novo marco do licenciamento ambiental é essencial. Esperamos que os deputados aprovem o projeto que vai uniformizar procedimentos e simplificar a concessão de licenças para empreendimentos de menor impacto, trazendo mais eficiência e segurança jurídica ao processo.” Modernização do setor elétrico “Há pontos positivos na medida provisória do governo, como benefícios para pequenos consumidores e maior abertura do mercado livre. Porém, o aumento das tarifas não deveria ser sequer cogitado. Somos um país que produz energia barata, mas tem uma das tarifas mais caras do mundo.” Redução da jornada de trabalho “Nossos estudos indicam que reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais geraria custos adicionais de até R$ 88 bilhões por ano só para a indústria, e R$ 260 bilhões para toda a economia. Sem aumento significativo de produtividade, não podemos considerar essa proposta.”