Estudo aponta crescimento da demanda por especialistas em descarbonização, inteligência artificial, energia limpa, riscos climáticos, finanças sustentáveis e economia circular até 2035
A transição para uma economia de baixo carbono deverá transformar o mercado de trabalho industrial brasileiro e ampliar a procura por profissionais com conhecimentos em sustentabilidade, tecnologia e inovação. Um levantamento do Observatório Nacional da Indústria identificou 16 perfis que tendem a ganhar relevância até 2035.
O estudo mostra que a modernização do setor não dependerá apenas da adoção de máquinas, sistemas digitais e fontes renováveis. As empresas também precisarão de trabalhadores capazes de reduzir emissões, reaproveitar materiais, avaliar riscos climáticos, integrar tecnologias limpas e adaptar processos produtivos às novas exigências ambientais.
Entre as áreas com maior potencial de crescimento estão descarbonização corporativa, economia circular, análise de dados ambientais, cadeias de suprimentos sustentáveis, eficiência energética, hidrogênio de baixo carbono e inteligência artificial aplicada à sustentabilidade.
O mapeamento também aponta oportunidades em rastreabilidade ambiental, armazenamento de energia, materiais sustentáveis, química verde, finanças verdes, consultoria ESG e formação de equipes para uma cultura empresarial mais sustentável.
Entre os perfis identificados está o gestor de descarbonização corporativa, responsável por elaborar inventários de emissões, definir planos para neutralização de carbono e acompanhar projetos de redução dos impactos climáticos.
Outro profissional que deve ganhar espaço é o especialista em economia circular e valorização de recursos. A função envolve implantar sistemas de logística reversa, reduzir desperdícios e identificar formas de reaproveitar materiais que seriam descartados.
O analista de dados para sustentabilidade deverá transformar informações sobre consumo de energia, emissões e desempenho ambiental em indicadores que ajudem as empresas a tomar decisões. Esse profissional também poderá desenvolver painéis de acompanhamento e ferramentas digitais para monitorar metas ambientais.
Na área de fornecimento, o especialista em cadeias sustentáveis será responsável por avaliar parceiros comerciais, verificar riscos socioambientais, acompanhar critérios ESG e implantar sistemas de rastreabilidade.
A adaptação às mudanças climáticas também deverá aumentar a demanda por gestores de riscos climáticos e resiliência. Esses profissionais terão a missão de avaliar vulnerabilidades, simular cenários e preparar as organizações para eventos extremos e mudanças regulatórias.
No setor energético, o levantamento indica oportunidades para especialistas em tecnologias de transição, responsáveis por avaliar fontes renováveis, projetos de eletrificação e soluções de armazenamento.
A expansão do hidrogênio de baixo carbono também poderá abrir espaço para profissionais encarregados de planejar plantas industriais, avaliar a viabilidade econômica dos projetos e estruturar cadeias de produção, transporte e distribuição.
A inteligência artificial aparece como uma das áreas estratégicas. Especialistas poderão desenvolver modelos para reduzir o consumo de energia, prever falhas, melhorar processos industriais e automatizar o monitoramento de indicadores ambientais.
Também devem crescer as oportunidades para arquitetos de sistemas de rastreabilidade ambiental. Esses profissionais utilizarão plataformas digitais e outras tecnologias para integrar dados, acompanhar a origem dos produtos e administrar certificações.
No mercado financeiro, especialistas em investimentos sustentáveis poderão avaliar projetos, estruturar títulos verdes, apoiar operações de financiamento e analisar os riscos econômicos relacionados ao clima.
O gestor de transformação verde organizacional terá a função de inserir a sustentabilidade no planejamento das empresas, coordenar programas ESG, capacitar trabalhadores e promover mudanças na cultura corporativa.
O estudo também prevê maior procura por especialistas em materiais sustentáveis e química verde, que deverão pesquisar alternativas de menor impacto ambiental e apoiar o desenvolvimento de produtos com emissões reduzidas.
Na área industrial, especialistas em eficiência energética poderão diagnosticar desperdícios, propor melhorias e reduzir simultaneamente os custos de produção e a emissão de gases de efeito estufa.
Engenheiros voltados ao armazenamento de energia deverão trabalhar com baterias, hidrogênio e sistemas integrados às redes elétricas inteligentes, garantindo desempenho, segurança e estabilidade no fornecimento.
O mapeamento inclui ainda consultores ESG, responsáveis por avaliar o grau de maturidade ambiental, social e de governança das empresas, além de apoiar metas, relatórios e cumprimento de normas.
Completa a lista o educador e facilitador para a cultura da sustentabilidade, profissional encarregado de desenvolver programas de formação, estimular o engajamento das equipes e transformar compromissos ambientais em práticas cotidianas.
Apesar do crescimento da oferta de cursos em energias renováveis, gestão ambiental e ESG, ainda existem lacunas na formação de profissionais para áreas como inteligência artificial sustentável, mercados de carbono, riscos climáticos, rastreabilidade e armazenamento de energia.
O levantamento deverá orientar a atualização dos cursos oferecidos pelo Senai. A instituição já vem incorporando competências relacionadas à transição verde e ampliando a capacitação em energia solar, eficiência energética, economia circular, hidrogênio de baixo carbono, manufatura sustentável e gestão ambiental.
Parte das oportunidades identificadas corresponde a novas ocupações. Outra parcela representa funções já existentes que passarão a exigir competências adicionais diante da digitalização da indústria e das metas de redução de emissões.
O estudo foi apresentado durante debates sobre empregos verdes, transição energética, mercado de carbono, combustíveis sustentáveis e descarbonização industrial. As discussões também integram a preparação do setor produtivo para as próximas negociações climáticas internacionais.
A expectativa é que a combinação de qualificação profissional, inovação tecnológica e investimentos sustentáveis permita à indústria brasileira reduzir impactos ambientais sem perder produtividade e competitividade. Para os trabalhadores, a transformação cria novas oportunidades, mas também exige atualização constante e formação em áreas que ainda estão em desenvolvimento.