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Economia

Indicado ao Fed evita cravar trajetória de juros dos EUA e descarta inflação alta por tarifa

Estadão Conteúdo 21/04/2026 14:22

Indicado à presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros e afirmou que é "cético" sobre a orientação futura do BC dos Estados Unidos, ao ser sabatinado na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado norte-americano, nesta terça-feira, 21. "A política monetária opera com defasagens. O Fed terá que se empenhar bastante nas próximas reuniões", ponderou.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Questionado sobre os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, a favor de uma política monetária mais frouxa, Warsh defendeu o mandatário norte-americano dizendo que chefes de Estado costumam ser favoráveis a cortes de juros e que a única diferença é que Trump externaliza esse desejo.

Em relação à macroeconomia, Warsh avaliou que o lado da oferta da economia está mudando drasticamente e disse não concordar que a inflação acima do esperado se deva às tarifas impostas pela atual administração. Para ele, é importante verificar qual é a taxa de inflação real e há "tempo limitado" para reduzir os preços.

"Os dados utilizados para avaliar a inflação são bastante imperfeitos. O que mais me interessa é a taxa de inflação subjacente, minha impressão geral é que o risco de inflação melhorou um pouco. Acredito que a tendência da inflação seja bastante favorável", detalhou, ao acrescentar que a missão do Fed em relação à inflação pode diminuir com o tempo.

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O possível sucessor de Jerome Powell mencionou que uma das primeiras reformas do Fed deveria ser um projeto de dados e defendeu que, por conta dos impactos da inteligência artificial (IA), é crucial rever os modelos do Fed. "Há também uma questão sobre o que a IA significa para os empregos", comentou.

Diferenças em relação a Powell

Warsh minimizou as críticas ao atual chefe do banco central norte-americano, Jerome Powell. Ao ser questionado sobre o tema, ele afirmou que as diferenças entre ambos se referem às taxas de juros, e não a questões pessoais.

Ele considerou como "apropriadas" mais de quatro reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) por ano e revelou preferir reuniões de política monetária "mais bagunçadas" do que as "familiares", sinalizando abertura para divergências de opiniões sobre os juros na instituição.

O indicado de Trump afirmou que o Fed pode trabalhar com o governo em políticas não monetárias, mas destacou que, se confirmado, terá que reiterar que a questão do dólar "é um assunto do Tesouro". "O dólar é a peça fundamental da economia global", ressaltou.

Sobre outras funções do BC, ele disse que a instituição não tem o direito legal de emitir uma moeda digital e que esta seria uma "má escolha política".

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Defesa de reformas políticas no Fed e critica a longa duração de previsões

Warsh sinalizou que o banco central norte-americano necessita de "reformas políticas fundamentais". Na avaliação dele, o Fed precisa de um novo quadro de inflação, bem como novas ferramentas e comunicações.

Ele destacou que, se for confirmado para a sucessão de Jerome Powell, utilizará as atuais ferramentas de maneira "diferente", sem fornecer maiores detalhes.

"Precisamos de uma mudança de regime na condução da política do Fed", acrescentou o indicado.

Dentre outras críticas, ele citou que a instituição monetária "mantém suas previsões por mais tempo do que deveria".

Diálogo acalorado

Durante a audiência, Warsh teve um diálogo acalorado com a senadora democrata Elizabeth Warren. Na ocasião, ela questionou se há algo na agenda econômica do presidente dos EUA, Donald Trump, com o qual o indicado discorde, considerando que o republicano disse anteriormente que "jamais" colocaria alguém com opiniões divergentes às suas na chefia do Fed.

Warren também perguntou se o possível futuro presidente possui investimentos em veículos criados por Jeffrey Epstein. "Esses bens serão vendidos se minha nomeação for confirmada", respondeu Warsh, após desviar da resposta em outras tentativas.

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Balanço patrimonial

Warsh destacou que um balanço patrimonial menor significa taxas de juros mais baixas, inflação menor e economia mais forte. Uma redução do balanço pode ser um dos pontos centrais no provável mandato do ex-diretor do Fed como chefe da instituição monetária.

"O balanço patrimonial do Fed tem desempenhado um papel prejudicial no cumprimento do duplo mandato. É necessária uma redução gradual e cuidadosa dele", ressaltou ele, ao mencionar uma colaboração com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para trabalhar na redução.

Na avaliação dele, um balanço patrimonial grande alimenta o papel político do Fed, mas o BC deve colaborar com o governo além da política monetária.

'Força dominante'

Em relação aos juros, Warsh disse que prefere usá-los como "a força dominante" e, se fossem reduzidos, uma gama mais ampla de pessoas se beneficiaria. "Muitos funcionários do Fed opinam antecipadamente sobre a trajetória dos juros, mas os juros precisam ser baseados em dados melhores e em perspectivas futuras", defendeu, ao pontuar a importância de permanecer "aberto a todos os tipos de dados".

O possível sucessor de Jerome Powell destacou que a economia dos EUA está melhorando e pode melhorar ainda mais, ainda com espaço para crescimento. "A economia americana está perto do pleno emprego", disse.

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