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Economia

Incerteza sobre conflito EUA-Irã ganha novos contornos e joga Ibovespa para baixo

Estadão Conteúdo 21/05/2026 11:34

O tom negativo no exterior influencia o Ibovespa, em meio à instabilidade geopolítica, que reduz as chances de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O clima de cautela desta quinta-feira, 21, ganhou novo impulso com relatos de que Teerã determinou que o urânio do país, enriquecido a um nível próximo ao necessário para armas, permaneça em território local.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O minério em queda tem impacto em Vale e nas ações ligadas à commodity. Em contrapartida, o petróleo para cima puxa Petrobras. Porém, o Ibovespa cai - além do exterior -, devido a incertezas com relação à manutenção da candidatura do Flávio Bolsonaro para presidente da República", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aguardará "alguns dias" por uma resposta de Teerã à proposta apresentada por Washington. Nos EUA, os índices futuros operam em leve queda, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançam.

SESC PICASSO

O petróleo também sobe: o Brent ganha 2% e é cotado a US$ 107,18 o barril, enquanto o WTI avança 2,63%, a US$ 100,89, respectivamente. Já o minério de ferro fechou em alta de 1,07%, em Dalian.

Além do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio, ficam no radar índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) europeus e norte-americano, bem como o balanço da Nvidia, informado ontem à noite. Há pouco, foram divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego dos EUA. No Brasil, o destaque é a arrecadação federal de abril, às 15 horas.

Dados divulgados hoje mostraram que o PMI composto da zona do euro e do Reino Unido recuaram, indicando contração da atividade em maio.

Na esteira dos balanços corporativos, as ações da Nvidia e do Walmart recuavam entre 1% e 4%, pela ordem, mesmo com ambas apresentando desempenho acima do esperado em seus balanços trimestrais.

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De acordo com Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, há mudança de humor em torno da Nvidia, que mesmo após superar estimativas, os papéis recuam, contaminando o setor de semicondutores e esfriando parte da euforia com inteligência artificial.

No Brasil, a agenda de indicadores traz apenas a arrecadação. A expectativa mediana é que o montante arrecadado em abril alcance R$ 275,0 bilhões, após R$ 229,249 bilhões em março. Segundo diz em nota Araújo, da ZERO Markets, o dado é importante para calibrar a leitura fiscal e o comportamento dos juros domésticos. Nesta manhã, os juros futuros sobem, seguindo os rendimentos dos Treasuries.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 177.355,73 pontos. "Surfou na melhora da percepção do conflito entre Estados Unidos e Irã", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. "Mas como toda essa questão é acompanhada de ceticismo devido à comunicação errática da Casa Branca, faz com que uma solução para o conflito pareça distante", completa Spiess.

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Para Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, há espaço para que o Índice Bovespa avance, mas isso depende principalmente do retorno dos investidores estrangeiros. "ficaria melhor, mais confortável, quando ultrapassar os 188 mil pontos", diz. Em maio até terça-feira, houve retirada de R$ 11,436 bilhões por parte de estrangeiros.

Às 11h12, o Ibovespa caía 0,43%, aos 176.593,99 pontos, ante declínio de 0,87%, na mínima em 175.805,16 pontos, vindo de abertura estável, na máxima em 177.351,70 pontos. Petrobrás tinha alta entre 1,42% (PN) e 1,89% (ON). Vale perdia 0,11%, enquanto Usiminas subia 2,815, após o Goldman Sachs eleva a recomendação da empresa de neutra para compra.

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