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IA e cibersegurança redesenham indústria de defesa e exigem novos profissionais

Estudos identificam mais de 120 tecnologias emergentes e apontam mudanças profundas na qualificação exigida pelo setor.

Vitória News 24/08/2026 08:01
IA e cibersegurança redesenham indústria de defesa e exigem novos profissionais
Foto: Augusto Coelho/Divulgação/CNI

A inteligência artificial e a cibersegurança devem ocupar papel central na transformação da indústria brasileira de defesa nos próximos anos. Um conjunto de estudos lançado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta que a evolução tecnológica deverá modificar não apenas equipamentos e sistemas, mas também a formação e o perfil dos profissionais empregados no setor.

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Reunidos nos Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa, os oito estudos analisam mudanças tecnológicas, organizacionais e ocupacionais previstas para áreas consideradas estratégicas. Ao todo, foram identificadas mais de 120 tecnologias emergentes com potencial para alterar a estrutura da indústria ao longo da próxima década.

A inteligência artificial e a cibersegurança aparecem em todos os segmentos analisados. Engenharia digital, sensores inteligentes, gêmeos digitais e integração digital do ciclo de vida também estão entre as tecnologias com presença mais ampla.

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As transformações alcançam setores como indústria aeroespacial, sistemas de defesa cibernética, plataformas militares terrestres, marítimas e fluviais, munições, mísseis, foguetes, sistemas de comando e controle, além de equipamentos militares.

O avanço tecnológico tende a reduzir o peso de algumas atividades estritamente operacionais e aumentar a importância de funções relacionadas à integração de sistemas, análise de dados, monitoramento, gestão tecnológica e tomada de decisões em ambientes complexos.

Com isso, competências como engenharia de sistemas, cibersegurança, tecnologias digitais, gestão do ciclo de vida e governança deverão ganhar espaço. Entre as habilidades consideradas importantes estão capacidade de analisar e integrar sistemas, interpretar dados, resolver problemas complexos e tomar decisões baseadas em evidências.

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Pensamento analítico, visão sistêmica, adaptabilidade e capacidade de aprendizado contínuo também aparecem como características cada vez mais relevantes para quem pretende atuar na indústria de defesa.

A mudança deverá exigir atualização de currículos, criação de cursos de especialização e programas de requalificação profissional, além de maior aproximação entre empresas, Forças Armadas, universidades, centros de pesquisa e instituições de formação técnica.

A indústria de defesa, no entanto, não se limita à fabricação de armamentos. O setor envolve aeronaves, navios, veículos, satélites, radares, drones, sistemas de comunicação e soluções de segurança digital. Muitas dessas tecnologias possuem aplicação civil e podem ser utilizadas em áreas como agricultura, logística, monitoramento ambiental e prevenção de desastres.

Apesar das oportunidades, os estudos apontam obstáculos importantes para o Brasil. Entre eles estão a dependência de tecnologias estrangeiras, dificuldades de financiamento, fragmentação das cadeias produtivas, falta de profissionais especializados e vulnerabilidades na área de segurança cibernética.

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Ao mesmo tempo, o desenvolvimento dessas competências pode ampliar a capacidade de inovação do país, reduzir a dependência externa e fortalecer setores considerados estratégicos para a soberania nacional.

A expansão internacional da indústria brasileira de defesa reforça esse movimento. As autorizações para exportações do setor alcançaram US$ 1,8 bilhão no primeiro semestre deste ano, crescimento de 29%. Produtos brasileiros da área de defesa já chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras.

Entre os principais produtos comercializados estão aeronaves e componentes, munições, explosivos, armamentos e serviços de engenharia de elevado valor agregado. O desafio agora é fazer com que o avanço das vendas seja acompanhado pela capacidade de desenvolver tecnologia e formar profissionais preparados para uma indústria cada vez mais digital, integrada e sofisticada.

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