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Hidrovia do Rio Tocantins: remoção do Pedral do Lourenço impulsionará escoamento agrícola e reduzirá custos logísticos

Vitória News 02/06/2025 11:40

A obra de dragagem e derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins, promete transformar a logística de transporte no Brasil, especialmente para o agronegócio. Com a conclusão dos trabalhos, será possível transportar até 20 milhões de toneladas de cargas agrícolas por ano, o equivalente a aproximadamente 500 mil caminhões. A previsão é que o custo logístico caia até 30%, beneficiando diretamente a região do MATOPIBA, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O projeto é liderado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e visa destravar um dos principais gargalos da hidrovia Tocantins-Araguaia. A via fluvial se estende por mais de 1,7 mil quilômetros entre o município de Peixe, no Tocantins, e Belém, no Pará, sendo estratégica para o escoamento de grãos e outros produtos agrícolas.

Licenciamento ambiental e impacto

No último dia 26 de maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença ambiental necessária para a remoção da formação rochosa, que possui cerca de 40 quilômetros de extensão e impede a navegação segura de grandes embarcações.

SESC PICASSO

O trecho a ser dragado é considerado o principal obstáculo à plena utilização da hidrovia, que, segundo o governo, é um dos canais mais sustentáveis para o transporte de cargas no país. A navegação fluvial em larga escala tende a reduzir significativamente as emissões de carbono e a diminuir o número de acidentes rodoviários, como ressalta o secretário Nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Antunes:

“Precisamos de muita alternativa de escoamento e essa será uma alternativa barata. Essa região, potencialmente impactada por essa logística nova, trazida pela hidrovia, não tem nenhuma outra alternativa aquaviária. Atualmente, se faz muita coisa rodoviária, mas a alternativa aquaviária é, de longe, a que emite menos poluição, que tem menos problema de acidente ou atropelamento de fauna”, destaca.

Vantagens econômicas e ambientais

A iniciativa não só aumenta a competitividade da produção nacional como também promove o desenvolvimento sustentável. A expectativa é que a hidrovia ajude a consolidar o MATOPIBA como um dos principais polos agrícolas do país, facilitando a exportação via portos do Norte e Nordeste.

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Além da eficiência logística, a obra deve estimular a economia regional com a geração de empregos diretos e indiretos e atrair investimentos privados. O Ministério de Portos e Aeroportos estima que o impacto social será expressivo, especialmente em cidades próximas à hidrovia.

A execução das obras seguirá rigoroso protocolo ambiental. Ao todo, 26 programas socioambientais foram aprovados durante o processo de licenciamento, com destaque para:

  • Monitoramento da fauna aquática e terrestre;

  • Instalação de uma Base de Atendimento Veterinário;

  • Ações de educação ambiental e controle de resíduos sólidos;

  • Projeto-piloto de derrocamento subaquático com avaliação contínua de impactos ambientais.

Parcerias estratégicas e novos investimentos

O projeto será executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e com o apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A obra integra o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal e está alinhada aos planos para a concessão da Hidrovia do Tapajós, reforçando a estratégia de expansão da malha fluvial da Amazônia Legal.

Movimentação portuária em alta

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A relevância da hidrovia se reflete no crescimento do setor portuário. Em março de 2025, a movimentação de cargas na Região Norte registrou alta de quase 7%, reforçando o potencial da navegação interior como vetor de desenvolvimento econômico.

Além disso, outras iniciativas estão em andamento para fortalecer a logística nacional. Recentemente, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou que o Porto de Itajaí (SC) contará com uma Companhia Docas própria, o que deve ampliar a competitividade e a eficiência do terminal catarinense.

Panorama geral da hidrovia Tocantins-Araguaia

Característica Descrição
Extensão Mais de 1.700 km
Trecho do Pedral do Lourenço 40 km
Carga anual estimada 20 milhões de toneladas
Redução de custo logístico Até 30%
Regiões beneficiadas Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (MATOPIBA)
Programas ambientais 26
Investimento Apoio do BNDES e PPI

A modernização da hidrovia Tocantins reforça o compromisso do Brasil com soluções logísticas mais verdes e eficientes, fortalecendo a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento econômico e ambientalmente responsável do agronegócio nacional.

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