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Economia

Haddad fala em divergências superáveis e elogia Congresso após anúncio da Moody's

FolhaPress 01/05/2024 17:45

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a melhora na perspectiva da nota de risco brasileira pela agência Moody's é resultado do trabalho dos Três Poderes, em mais um sinal de afago ao Congresso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com ele, Executivo, Legislativo e Judiciário "colocaram os interesses do país acima de divergências superáveis".

A declaração é feita em momento de crise do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o Congresso. O presidente reproduziu em uma rede social a publicação de Haddad.

O cenário se agravou no fim de semana após Haddad conceder entrevista à Folha de S.Paulo, na qual cobrou responsabilidade fiscal de deputados e senadores.

"A Moody's acompanhou as outras agências de risco ao reconhecer a mudança para melhor das nossas perspectivas econômicas. Isso tem a ver com o trabalho conjunto dos três Poderes, que colocaram os interesses do país acima de divergências superáveis", escreveu o ministro, na rede social X.

"Mesmo com a deterioração momentânea da economia global, o Brasil caminha e recupera credibilidade econômica, social e ambiental. Temos muito a fazer!", afirmou.

SESC PICASSO

Ao republicar a postagem de Haddad na mesma rede social, Lula disse que o país voltou a ser respeitado. "O Brasil que estamos construindo voltou a ser respeitado no mundo e voltou a ter credibilidade econômica e ambiental. Isso é bom para todo mundo", afirmou o presidente.

Nesta quarta, a agência de classificação de risco Moody's Ratings elevou a perspectiva do Brasil de "estável" para "positiva", mas manteve as notas de crédito dos títulos de dívida do governo do Brasil, que estão em "Ba2" desde 2016.

Essa é a primeira mudança de classificação da agência para o Brasil desde 2018, quando ela elevou a perspectiva do país de "negativa" para "estável".

Com a nota de crédito reafirmada, o Brasil ainda está a dois degraus abaixo do chamado grau de investimento, quando o país deixa de fazer parte do nível especulativo, tornando-se seguro para investimentos, ou seja, com baixos riscos de calote para quem investe em seus títulos de dívida.

Na mesma linha de Haddad, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), responsável pela articulação política do governo, também deu crédito ao Poder Legislativo pela elevação da perspectiva do Brasil.

CONTADOR - BONUS

Sem citar os nomes, Padilha agradeceu aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

"Parabéns ministro Fernando Haddad, viva o presidente Lula. Quero fazer um agradecimento especial ao Congresso, presidente da Câmara, presidente do Senado, os líderes, quem vinha discutindo isso nas últimas duas semanas, da importância de consolidarmos a saúde das contas públicas para ter mais esse passo positivo de avaliação", afirma Padilha, em vídeo divulgado em rede social.

O governo Lula vive um momento de dificuldades com o Congresso Nacional. Há algumas semanas, Lira havia disparado contra Padilha, chamando de "desafeto pessoal" e "incompetente".

Do lado do Senado, o governo se vê ameaçado pela articulação em torno de uma pauta-bomba.

Pacheco é um dos patrocinadores da principal medida que assusta a equipe econômica, a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Quinquênio, que turbina o salário de magistrados e integrantes do Ministério Público.

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No fim de semana, Haddad ainda deu uma declaração que deixaram insatisfeitos Lira, Pacheco e líderes do Congresso: "Há não muito tempo atrás, criar despesas e renunciar a receitas eram atos exclusivos do Poder Executivo. O Supremo Tribunal Federal disse que o Parlamento também tem o direito de fazer o mesmo. Mas qual é o desequilíbrio? É que o Executivo tem que respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal. E o Parlamento, não", afirmou o ministro.

"É preciso dizer que o Congresso também tem que respeitar a mesma lei. E que atos que não a respeitem precisam ser suspensos", completou.

Pacheco reagiu no mesmo dia, afirmando que ter responsabilidade fiscal não significava "aderir ao Executivo". "Uma coisa é ter responsabilidade fiscal, outra bem diferente é exigir do Parlamento adesão integral ao que pensa o Executivo sobre o desenvolvimento do Brasil", disse o senador, por meio de nota enviada à imprensa no sábado (27).

Nesta quarta, Lula buscou minimizar a crise com o Congresso, acusando a imprensa de fomentar essa situação.

"Uma parte da imprensa insiste em dizer que existe uma relação ruim entre o Executivo e o Legislativo. Mas, até agora, todos os projetos que enviamos para o Parlamento tem sido aprovados no Congresso Nacional, como a reforma tributária", escreveu o presidente.

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