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Economia

Guerra pressiona preços de carnes e ovos no Brasil

Frete, insumos e petróleo encarecem produção e devem elevar preços de frango, suínos e ovos

Vitória News 27/03/2026 08:01
Guerra pressiona preços de carnes e ovos no Brasil
Foto: Jonathan Campos/AEN/Br61

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a impactar diretamente o mercado de proteínas no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, os preços de carne de frango, suína e ovos devem subir nos próximos dias, pressionados pelo aumento dos custos logísticos e de insumos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O principal fator é o encarecimento do transporte internacional, que já registra alta entre 10% e 20%, dependendo das rotas. A logística de grãos como milho e soja — base da alimentação animal — também ficou mais cara, ampliando o custo de produção nas granjas e agroindústrias.

Outro vetor de pressão vem das embalagens, cujo custo pode subir até 30%. Isso ocorre porque muitos insumos são derivados do petróleo, diretamente afetado pela instabilidade geopolítica e pela volatilidade no mercado internacional.

Além disso, empresas de navegação passaram a aplicar “taxas de guerra”, somadas ao aumento no tempo de trânsito das cargas, o que encarece ainda mais a cadeia e reduz a previsibilidade logística.

Impacto no consumidor e dinâmica de mercado

No caso dos ovos, a expectativa é de equilíbrio entre oferta e demanda, impulsionado pela expansão da produção nos últimos anos. Ainda assim, a elevação dos custos indiretos deve chegar ao consumidor final.

SESC PICASSO

O cenário tende a ser agravado pelo aumento do consumo típico do período, quando há substituição de proteínas mais caras por opções como ovos e carne de frango. Mesmo com oferta ajustada, a pressão de custos pode resultar em reajustes no varejo.

A entidade avalia que os repasses devem ocorrer no curto prazo, à medida que os custos mais altos forem absorvidos ao longo da cadeia produtiva.

Pressão logística e reação do setor

Diante do cenário, a ABPA defende a adoção de medidas emergenciais para preservar a competitividade do setor exportador. Entre as propostas estão linhas de crédito para capital de giro, flexibilização de financiamentos e ampliação de instrumentos de apoio às exportações.

A estratégia busca garantir liquidez às empresas em um momento de forte instabilidade internacional, evitando interrupções no fluxo de embarques e reduzindo impactos mais severos sobre o mercado interno.

No radar agro, o movimento reforça uma tendência clássica: choques externos, especialmente ligados ao petróleo e à logística global, rapidamente se traduzem em pressão de custos no campo e, na sequência, no preço dos alimentos ao consumidor.

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