Frete, insumos e petróleo encarecem produção e devem elevar preços de frango, suínos e ovos
A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a impactar diretamente o mercado de proteínas no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, os preços de carne de frango, suína e ovos devem subir nos próximos dias, pressionados pelo aumento dos custos logísticos e de insumos.
O principal fator é o encarecimento do transporte internacional, que já registra alta entre 10% e 20%, dependendo das rotas. A logística de grãos como milho e soja — base da alimentação animal — também ficou mais cara, ampliando o custo de produção nas granjas e agroindústrias.
Outro vetor de pressão vem das embalagens, cujo custo pode subir até 30%. Isso ocorre porque muitos insumos são derivados do petróleo, diretamente afetado pela instabilidade geopolítica e pela volatilidade no mercado internacional.
Além disso, empresas de navegação passaram a aplicar “taxas de guerra”, somadas ao aumento no tempo de trânsito das cargas, o que encarece ainda mais a cadeia e reduz a previsibilidade logística.
Impacto no consumidor e dinâmica de mercado
No caso dos ovos, a expectativa é de equilíbrio entre oferta e demanda, impulsionado pela expansão da produção nos últimos anos. Ainda assim, a elevação dos custos indiretos deve chegar ao consumidor final.
O cenário tende a ser agravado pelo aumento do consumo típico do período, quando há substituição de proteínas mais caras por opções como ovos e carne de frango. Mesmo com oferta ajustada, a pressão de custos pode resultar em reajustes no varejo.
A entidade avalia que os repasses devem ocorrer no curto prazo, à medida que os custos mais altos forem absorvidos ao longo da cadeia produtiva.
Pressão logística e reação do setor
Diante do cenário, a ABPA defende a adoção de medidas emergenciais para preservar a competitividade do setor exportador. Entre as propostas estão linhas de crédito para capital de giro, flexibilização de financiamentos e ampliação de instrumentos de apoio às exportações.
A estratégia busca garantir liquidez às empresas em um momento de forte instabilidade internacional, evitando interrupções no fluxo de embarques e reduzindo impactos mais severos sobre o mercado interno.
No radar agro, o movimento reforça uma tendência clássica: choques externos, especialmente ligados ao petróleo e à logística global, rapidamente se traduzem em pressão de custos no campo e, na sequência, no preço dos alimentos ao consumidor.