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Economia

Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e reduz chance de corte no preço da gasolina no Brasil

FolhaPress 02/10/2024 19:50

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Até a semana passada, o mercado de combustíveis dava como certo um corte no preço da gasolina vendida pela Petrobras, que vem registrando elevados prêmios em relação às cotações internacionais do produto.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio, porém, alterou as expectativas, diante das incertezas no mercado internacional de petróleo. O mais provável agora, dizem pessoas com entendimento do assunto, é que a Petrobras espere um pouco mais.

Na abertura do mercado desta quarta-feira (2), o litro da gasolina vendida nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,13 acima da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). No diesel, o prêmio era de R$ 0,09 por litro.

Nos dois casos, a diferença já chegou a rondar os R$ 0,20 por litro, pouco antes da intensificação dos conflitos.

Nesta semana, a cotação do petróleo Brent, referência internacional negociada em Londres, já subiu 3%, voltando à casa dos US$ 74 por barril após uma semana. Analistas preveem grande volatilidade para os próximos dias, a depender da evolução dos ataques entre Israel e Irã e Líbano.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (2), analistas do Goldman Sachs afirmaram ver sensibilidade dos preços a possível queda nas exportações iranianas, potenciais cortes no fluxo de petróleo pelo mar Vermelho e uma ainda improvável interrupção do comércio pelo Estreito de Ormuz.

SESC PICASSO

A escalada dos preços reverte um momento de baixa de preços no mercado, que respondia a um cenário de excesso de capacidade e baixas expectativas sobre crescimento da demanda, sobretudo da China, que anunciou recentemente um pacote de estímulo econômico.

Nesse contexto, a Petrobras vinha operando com elevados prêmios em relação às cotações internacionais, o que gerou grande expectativa de cortes nos preços internos dos combustíveis, principalmente da gasolina.

CONTADOR - BONUS

A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse na semana passada que a companhia vinha acompanhando o cenário e que mexeria nos preços "na hora que a gente entender que cabe". "Se a gente enxergar espaço para redução [de preços], vamos reduzir", afirmou.

No mesmo dia, a Petrobras anunciou corte de 9,1% no preço do querosene de aviação, produto que tem reajustes mensais de acordo com a variação das cotações internacionais, reforçando ainda mais a ideia de que a gasolina baixaria em breve.

A estatal, porém, vem repetindo que sua nova política de preços evita repassar ao consumidor interno a volatilidade do mercado internacional. E, antes mesmo dos ataques israelenses ao Líbano, o diretor de Logística, Comercialização e Produtos da companhia, Claudio Schlosser, dizia ver grande volatilidade.

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