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Governo quer manter aumento do IOF em 2025 e negociar alternativas só para 2026

FolhaPress 29/05/2025 13:13

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo quer manter o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em 2025 e negociar alternativas à medida apenas para 2026. Ministros de Lula (PT) informaram à cúpula do Congresso que não há condições de abrir mão da arrecadação vinda da alta do tributo e que não há tempo para elaborar outras medidas neste ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na noite de quarta-feira (28), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou aos presidentes da Câmara e do Senado que o funcionamento da máquina pública ficaria em situação delicada sem o aumento do IOF definido pelo governo.

Na reunião, ocorrida na residência oficial do presidente do Senado, Haddad alegou que não trabalharia com a hipótese de revogação do decreto que aumenta o imposto. A elevação atinge a contratação de crédito para empresas e a compra de moeda estrangeira em espécie, entre outras situações.

Ainda segundo relatos, ficou acertado que o governo teria dez dias para apresentação de medidas estruturantes. Na avaliação do governo, essa negociação teria efeitos apenas para 2026, ano de eleição presidencial.

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O governo tenta ganhar tempo para essa articulação. Nesse prazo de dez dias, a proposta da Câmara para derrubar o decreto do IOF não entraria em pauta —até porque, na semana que vem, a agenda da Casa será consumida pela realização do 11º Fórum Parlamentar do Brics, entre os dias 3 e 5 de junho.

Haddad se reuniu com Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para discutir a alta do tributo, anunciada pelo governo na semana passada como forma de elevar a arrecadação e equilibrar as contas públicas, em conjunto com um congelamento de gastos públicos.

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Depois do prazo, não haveria compromisso de Motta ou Alcolumbre de postergar ainda mais os PDLs (Projetos de Decreto Legislativo) apresentados no Congresso para revogar o aumento do imposto. Eles disseram que conversariam com os líderes em reuniões nesta quinta-feira (29).

Governistas dizem ter recebido indicações positivas da cúpula da Câmara para manter, por mais seis meses, a cobrança maior do IOF. A tributação valeria até a implantação das medidas estruturantes, que poderiam incluir redução linear de isenção tributária —algo que o presidente da casa já vem dizendo a aliados que quer mexer há algum tempo.

Motta, no entanto, aumentou o tom de cobrança ao governo nesta quinta-feira (29). Ele afirmou que o clima no Congresso era pela derrubada do decreto, citou "gambiarras tributárias" e disse que é preciso apresentar um plano alternativo em dez dias, sem especificar a validade das novas medidas.

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De acordo com relato de Haddad à saída do encontro, foi feito um pedido por parte de Motta e Davi para que o governo apresente medidas de médio e longo prazo "mais estruturantes" para o Orçamento e o gasto primário. Ficou acordado que o governo apresentará uma proposta nesse sentido para 2026.

A reunião foi articulada pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), que também participaram da reunião. Além deles, estiverem presentes os líderes do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

As bancadas têm pressionado Motta a colocar a derrubada em pauta –PDT, União Brasil e Republicanos fecharam pelo projeto que susta a medida, e PSD liberou a bancada, que é majoritariamente a favor de revogar o aumento. Parlamentares de 13 frentes do setor produtivo também divulgaram manifesto para pressionar a colocada do texto em votação.

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