Alckmin e CNI discutem criação de nova missão industrial para ampliar exportações, diversificar mercados e reduzir impactos das sobretaxas
O governo federal e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) discutem medidas emergenciais e de longo prazo para reduzir os impactos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, reuniu-se nesta segunda-feira (27) com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Durante o encontro, os dois defenderam a manutenção das negociações entre Brasil e Estados Unidos e a ampliação do apoio às empresas afetadas.
Entre as medidas previstas está um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos e realização de novos investimentos.
“Conversamos sobre a necessidade de manter o diálogo e a negociação. De outro lado, diversificar e buscar novos mercados e atender as empresas afetadas”, afirmou Alckmin.
A resposta imediata deverá envolver órgãos e instituições como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ApexBrasil, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, o Sebrae, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a própria CNI.
Além do apoio financeiro, o governo e o setor industrial pretendem acelerar a criação de uma nova missão da Nova Indústria Brasil voltada à internacionalização da cadeia produtiva nacional.
A proposta é instituir uma sétima missão, inicialmente de caráter transitório, para fortalecer a competitividade das empresas brasileiras, apoiar os setores mais atingidos pelas tarifas norte-americanas e ampliar a presença dos produtos nacionais no exterior.
Atualmente, a política industrial brasileira possui seis missões estratégicas, direcionadas às cadeias agroindustriais sustentáveis, ao complexo econômico-industrial da saúde, à infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade, à transformação digital, à bioeconomia e transição energética e às tecnologias para soberania e defesa.
Segundo Ricardo Alban, a nova frente poderá funcionar como uma espécie de “Brasil Mais Exportador”, reunindo instrumentos de capacitação, inovação, produtividade e acesso a mercados internacionais.
A CNI deverá atuar em conjunto com o governo na formulação da iniciativa. Sesi, Senai e federações estaduais da indústria também participarão do apoio às empresas interessadas em iniciar ou ampliar suas exportações.
Alckmin destacou que as medidas precisam avançar rapidamente porque o comércio exterior tem impacto direto na geração de empregos, investimentos e renda.
O vice-presidente lembrou que o Brasil encerrou o último ano com recorde de US$ 348,7 bilhões em exportações. No primeiro semestre de 2026, as vendas externas alcançaram US$ 184 bilhões, também o maior resultado já registrado para o período.
Um grupo de trabalho coordenado pela CNI deverá ser criado para reunir os setores industriais mais afetados pelas novas tarifas e as federações estaduais com atuação no comércio exterior. O Ministério do Desenvolvimento ficará responsável pela articulação dos órgãos públicos envolvidos.