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Economia

Governo pensa em métodos para responder às taxações internacionais, Shein perde espaço para a concorrência e o que importa no mercado

FolhaPress 24/02/2025 09:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na surdina, o governo pensa em métodos para responder às taxações internacionais com agilidade, Shein perde espaço para a concorrência e teme pelo IPO e outros destaques do mercado nesta segunda-feira (24).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

**CHUMBO TROCADO NÃO DÓI**

Até o momento, o Brasil não respondeu com muita veemência às imposições de taxas ao comércio internacional de Donald Trump. A estratégia escolhida pelo governo tem sido alertar para os possíveis prejuízos da política e aguardar ameaças mais direcionadas.

Ao que tudo indica, isso está para mudar. O país quer ter um instrumento legal que permita responder rapidamente a medidas que considere protecionistas e contra o comércio global.

MAIS DO QUE PARECE

É claro que Trump e suas tarifas têm um papel relevante em trazer o assunto à tona, mas não é só dele que o governo brasileiro sente que precisa se proteger.

O debate surgiu primeiro com a lei antidesmatamento da União Europeia: ela prevê restrições à importação de produtos que não cumpram regras definidas para restringir o desmatamento em áreas como a amazônia e o pantanal.

Alguns enxergam a medida como protecionista: usando a causa ambiental como pano de fundo para barrar a importação de produtos que são vendidos a um preço menor pelo Brasil e favorecer comerciantes europeus.

OPÇÕES

No momento, o governo não fazer alarde dos planos. Ele tem algumas opções para revidar.

1 - Um projeto de lei em tramitação no Senado de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Apelidado de “PL da Reciprocidade”, ele prevê tornar obrigatório que países e blocos econômicos cumpram padrões ambientais compatíveis aos adotados no Brasil para a venda de bens e produtos no mercado doméstico.

2 - Uma MP (medida provisória) que, além de dar condições de reação e de ações de reciprocidade, permite que o país tenha espaço para negociação ao longo do processo.

SESC PICASSO

Membros do governo atuam para que a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), não condicione, em seu parecer, o uso do instrumento a ações ligadas ao meio ambiente –eles querem um mecanismo que possa ser acionado para defletir qualquer ameaça.

Fiquemos ligados.

**SHEIN TREME NA BASE**

A concorrência está ficando mais acirrada entre as lojas que vendem a preços mais baixos. A Shein, que saiu da China e conquistou o mundo, está perdendo espaço para sites como o Temu.

A briga pode estragar planos antigos e importantes da primeira, como a abertura de seu capital na bolsa de valores de Londres, aguardada como uma das maiores da década.

O PORQUINHO EMAGRECEU

Os ganhos da Shein caíram mais de um terço no ano passado.

- 40% é a queda do lucro líquido da varejista em 2024, para US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões)

- 19% foi o aumento das vendas no mesmo ano, para US$ 38 bilhões (R$ 217,7 bilhões);

Mas…as projeções para o ano eram bem maiores.

Pretendiam lucrar US$ 4,8 bilhões (R$ 27 bilhões) e vender US$ 45 bilhões (R$ 257 bilhões).

Os números foram colhidos pelo jornal britânico Financial Times de projeções internas da empresa, ainda não finalizadas.

Como (ainda) não é uma companhia de capital aberto, ela não tem a obrigação de publicar informações financeiras tão completas quanto outras do setor.

QUESTÃO DE IMAGEM

A situação é preocupante, mas não é como a Shein estivesse à beira da falência –ela vai muito bem, obrigada.

O problema é que, perdendo a competição para outros sites muito parecidos, ela fica menos atraente para investidores. É um péssimo momento para isso, já que a companhia pretende fazer seu IPO em Londres.

CONTADOR - BONUS

IPO (se diz “ai-pi-ô”, no mundo dos negócios) é uma sigla para “Initial Public Offering”. É a primeira oferta que uma empresa faz de suas ações em uma bolsa de valores. Dali em diante, os papéis ofertados nesse momento são comprados e vendidos por investidores.

MUDANÇA DE PLANOS

A ideia era que o lançamento acontecesse em abril, mas deve ser adiado para o segundo semestre.

A empresa teme que o IPO seja um fracasso: as ações podem ser negociadas a um preço abaixo do desejado e dar uma visão ruim para o mercado.

MAIS PROBLEMAS

Donald Trump pretende apertar uma regra que isenta de tarifas importações da varejista para os EUA.

Tanto a Shein quanto a Temu estão sendo investigadas na União Europeia sob a acusação de não coibir a venda de produtos falsificados e perigosos nas plataformas. Você pode entender melhor lendo esta reportagem.

**OS DOIS LADOS DA MOEDA**

Nesta newsletter falamos bastante sobre os avanços da tecnologia. É necessário e empolgante de certa forma, não? No entanto, é preciso falar dos prejuízos que surgem com elas. Tudo tem dois lados, até o ChatGPT.

O crescente uso de data centers pelas big techs gerou custos relacionados à saúde pública avaliados em mais de US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 30,7 bilhões) nos últimos cinco anos, segundo uma pesquisa da UC Riverside e da Caltech.

POR QUE?

Os centros de dados –aqueles que ocupam galpões com vários computadores– precisam de muita, mas muita, energia elétrica para funcionar.

A poluição no ar gerada por esse gasto energético foi atrelada ao tratamento de cânceres, asma e outros problemas relacionados pelos pesquisadores.

A matriz energética de muitos países –incluindo os EUA– são fortemente baseadas em combustíveis fósseis, que liberam gases de efeito estufa.

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Esses centros costumam ser equipados com geradores reserva, ativados em caso de queda de energia, geralmente alimentados a diesel –mais poluentes no ar.

A coisa tende a piorar com a corrida para desenvolver IA generativa, que requer enormes recursos computacionais para treinar e a manutenção modelos de linguagem de grande escala em rápido desenvolvimento.

Os próprios chips também geram um descarte poluente: podem liberar produtos químicos nocivos à saúde no meio-ambiente.

COMO?

As descobertas da UC Riverside e Caltech foram derivadas usando uma ferramenta de modelagem amplamente utilizada da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA. O modelo da EPA traduz a qualidade do ar estimada e os impactos na saúde humana em um valor monetário.

E TEM MAIS

Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta previram que os gastos com IA poderiam exceder US$ 320 bilhões (R$ 1,8 tri) este ano, em comparação com US$ 151 bilhões (R$ 861 bi) em 2023.

Ainda, a OpenAI e o SoftBank revelaram no mês passado planos para uma joint venture gigante de infraestrutura de IA nos EUA de US$ 500 bilhões (R$ 2,8 tri) chamada "Stargate".

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Fracasso não é fraude”...disse uma ex-empresária presa por enganar bilionários do Vale do Silício ao fundar uma startup de saúde sem fundamento.

Queimando gasolina. As montadoras estão repensando seus planos de transição para veículos elétricos. A BMW resolveu recalcular a sua rota, assim como algumas outras.

Fora do radar. As tais “emendas Pix”, que precisam de menos justificativas dos parlamentares para serem distribuídas, estão jogando 12% do investimento federal no escuro.

Na berlinda. Na esperança de enterrar a confusão sobre a origem de suas xícaras, Tânia Bulhões coloca o CEO para falar nas redes sociais.

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